Rafael Nascimento/Ministério da Saúde

A Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) confirmou, na quarta-feira (31/12), que sete pessoas no interior do estado sofreram intoxicação após a ingestão acidental de metanol presente em bebidas alcoólicas adulteradas. O incidente, que reacende o alerta sobre os graves riscos deste tipo de contaminação, levou à proibição da venda de bebidas no município de Ribeira do Pombal, localizado a cerca de 290 quilômetros de Salvador.

Em 2025, o metanol foi identificado em bebidas alcoólicas no Brasil, resultando em pelo menos 10 mortes, casos de coma ou cegueira permanente. O metanol é uma substância com aparência, cheiro e sabor muito similares ao do etanol (álcool comum em bebidas), porém, sua ingestão é extremamente perigosa.
Sintomas e Riscos Graves à Saúde

O metanol é uma substância altamente tóxica, utilizada em processos industriais e ilicitamente adicionada a bebidas alcoólicas. Mesmo pequenas quantidades de bebida adulterada podem causar danos severos. Por isso, após a ingestão, o atendimento médico urgente é crucial, preferencialmente em menos de seis horas.

Os sintomas geralmente surgem entre seis e 24 horas após o consumo e incluem:

  • Náusea
  • Tontura
  • Dor de cabeça
  • Dores abdominais intensas
  • Visão borrada ou com manchas
  • Falta de coordenação motora

Em quadros mais graves, pode haver cegueira e coma. Embora os sintomas possam ser confundidos com os de uma ressaca, a evolução da intoxicação por metanol é rápida e progressiva, exigindo busca imediata por assistência médica.

O Que Fazer Diante de Suspeitas:

Procure um médico imediatamente.
Leve a embalagem da bebida ou uma amostra dela para o hospital.
Acione serviços de urgência, como o disque intoxicação da Anvisa (0800 722 6001).
Alerte outras pessoas que possam ter consumido a mesma bebida.

Tratamento Contra a Intoxicação por Metanol:

O tratamento deve ser iniciado com urgência, pois o organismo converte o metanol em compostos que acidificam o sangue e danificam tecidos. O protocolo inclui a administração de antídotos específicos, correção do desequilíbrio metabólico e, em casos graves, hemodiálise para eliminar a substância.

O principal antídoto é o fomepizol, um derivado alcoólico que atua bloqueando a enzima responsável pela transformação do metanol em ácido fórmico, que é tóxico para o nervo óptico e o sistema nervoso. Ele deve ser administrado em até 72 horas após a ingestão, sob orientação de uma equipe médica especializada.

Na ausência do fomepizol, o etanol farmacêutico pode ser usado, embora seja menos eficaz. O etanol atua fazendo com que o fígado priorize sua metabolização, retardando a conversão do metanol em formaldeído e ácido fórmico.

De acordo com o governo baiano, todos os pacientes intoxicados já receberam o antídoto. A vigilância sanitária municipal também interditou o estabelecimento responsável pela comercialização da bebida envolvida nos sete casos, como parte das medidas para conter novos incidentes.

Com informações de Metrópoles

Artigo anteriorCantor Sam Smith passa virada do ano na Amazônia; veja foto
Próximo artigoSíndrome do coração festeiro: O risco cardíaco silencioso das festas de fim de ano