Militares da Guarda Revolucionária Islâmica se apresentam durante uma manifestação militar no centro de Teerã • 10 de janeiro de 2025 Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images

O planejamento militar dos Estados Unidos em relação ao Irã atingiu um estágio avançado, com opções que incluem ataques a indivíduos e até mesmo a tentativa de mudança de regime em Teerã, caso o presidente Donald Trump ordene, disseram duas fontes americanas à Reuters.

Na semana passada, a Reuters noticiou que as Forças Armadas americanas estão se preparando para uma operação prolongada, com duração de semanas, contra o Irã, que poderia incluir ataques a instalações de segurança, bem como à infraestrutura nuclear do país.

As últimas informações sugerem um planejamento mais detalhado e ambicioso antes de uma decisão de Trump, que nos últimos dias mencionou publicamente a possibilidade de uma mudança de regime na República Islâmica.

Os oficiais americanos consultados, que falaram sob condição de anonimato, não forneceram mais detalhes sobre quais indivíduos poderiam ser alvejados ou como os militares dos EUA poderiam tentar realizar uma mudança de regime sem a utilização de uma grande força terrestre.

Uma das fontes citou o sucesso de Israel em alvejar líderes iranianos durante o conflito de 12 dias no ano passado. Na época, fontes regionais disseram à Reuters que pelo menos 20 comandantes de alta patente foram mortos, incluindo o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, o major-general Mohammad Bagheri.

“A guerra de 12 dias e os ataques israelenses contra alvos individuais realmente demonstraram a utilidade dessa abordagem”, disse o oficial americano, acrescentando que o foco estava naqueles envolvidos no comando e controle das forças da Guarda Revolucionária Islâmica.

O governo Trump classificou formalmente a Guarda Revolucionária Islâmica como uma organização terrorista estrangeira em 2019.

Ainda assim, o oficial alertou que alvejar indivíduos requer mais recursos de inteligência. Matar um comandante militar específico significaria saber sua localização exata e entender quem mais poderia ser atingido na operação.

Não ficou claro para os oficiais que falaram com a Reuters quais informações de inteligência os EUA possuem sobre líderes iranianos que poderiam ser alvos.

A Casa Branca e o Pentágono não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Em seu primeiro mandato, Trump demonstrou estar disposto a ordenar assassinatos seletivos ao aprovar um ataque em 2020 contra o general iraniano Qassem Soleimani, que liderava o braço paramilitar e de espionagem estrangeira da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, conhecido como Força Quds.

Mudança de regime é possível objetivo

Trump mencionou abertamente a possibilidade de mudar o regime do Irã, dizendo na semana passada que “parece que essa seria a melhor coisa que poderia acontecer”.

Ele se recusou a dizer quem gostaria que assumisse o poder no país, mas afirmou: “Há pessoas”.

Embora as operações de mudança de regime tradicionalmente envolvam grandes movimentações de tropas terrestres americanas, Trump recorreu a forças de operações especiais para depor o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, enviando-as para capturá-lo em seu complexo em Caracas no mês passado.

Ao mesmo tempo, o presidente americano também pressiona por um acordo, dizendo na quinta-feira (19) que “coisas muito ruins” acontecerão se nenhum entendimento for alcançado.

Ele também sugeriu um prazo de no máximo 10 a 15 dias antes que os EUA pudessem tomar alguma medida.

Irã alerta para retaliação em caso de ataque

A Guarda Revolucionária do Irã alertou que poderia fazer ataques de retaliação contra bases militares americanas na região caso os EUA ataquem território iraniano.

Os Estados Unidos possuem bases em todo o Oriente Médio, incluindo na Jordânia, Kuwait, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Turquia.

Em uma carta enviada na quinta-feira ao secretário-geral da ONU, o regime iraniano afirmou que não iniciará nenhuma guerra, mas que “caso seja alvo de agressão militar, o Irã responderá de forma decisiva e proporcional” no exercício de seu direito de autodefesa.

Autoridades americanas disseram à Reuters que esperam que o Irã revide em caso de ataque, aumentando o risco de baixas americanas e de um conflito regional, dado o número de países que poderiam ser atingidos pelo arsenal de mísseis iraniano.

Com informações de CNN Brasil.

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