O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) criticou, nesta quarta-feira (08/04), a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de não prorrogar os trabalhos da CPI do Crime Organizado, que investiga a atuação de facções e milícias no país.

Para o parlamentar, o encerramento da comissão, previsto para o próximo dia 14 de abril, ocorre em um momento sensível das investigações, quando temas estruturais e conexões mais profundas do crime organizado começam a ser alcançados.

“A CPI estava avançando em pontos estratégicos, especialmente na identificação das engrenagens financeiras que sustentam o crime organizado no Brasil. Interromper esse processo agora é um erro que pode comprometer resultados importantes para o país. Serve de exemplo as investigações sobre as transações entre Amazonprev e Banco Master, que já causaram, de imediato, uma perda de R$ 50 milhões para o patrimônio do servidor público do Amazonas”, afirmou.

A comissão teve o pedido de prorrogação por 60 dias apresentado pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), mas a solicitação foi negada sob a justificativa do calendário eleitoral de 2026.

Comandante Dan destacou que o aprofundamento das investigações é fundamental para estados como o Amazonas, onde o crime organizado apresenta forte presença territorial e atuação integrada a rotas nacionais e internacionais.

O deputado também chamou atenção para a relevância de apurações envolvendo o sistema financeiro, incluindo suspeitas investigadas pela CPI relacionadas ao Banco Master, que podem ter reflexos diretos em estruturas estaduais.

“Quando falamos de crime organizado no Amazonas, estamos lidando com uma realidade complexa, que envolve fronteiras, rios e rotas internacionais. Sem investigação profunda, especialmente no campo financeiro, o enfrentamento fica incompleto”, ressaltou.

Segundo o parlamentar, o encerramento antecipado da CPI pode representar perda de oportunidade para consolidar diagnósticos mais precisos e fortalecer políticas públicas de segurança.

Comandante Dan defendeu ainda que as informações já levantadas pela comissão sejam plenamente utilizadas pelos órgãos de controle e segurança, e que novas frentes de investigação sejam consideradas, caso necessário.

“Não podemos permitir que uma investigação dessa magnitude termine sem extrair todo o seu potencial. O Brasil precisa enfrentar o crime organizado com seriedade, inteligência e continuidade”, concluiu.

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