
O Conselho Deliberativo do Corinthians decidiu expulsar, nesta segunda-feira (8), os conselheiros Maria Angela Ocampos, Paulo Juricic e Ronaldo Fernandez Tomé do quadro associativo do clube. A medida foi aprovada durante reunião realizada no Parque São Jorge.
Os três foram julgados pela participação na invasão ao andar da presidência do Corinthians, ocorrida em 31 de maio de 2025, episódio que marcou uma tentativa de retorno de Augusto Melo ao comando do clube.
Na ocasião, Maria Angela Ocampos se autodeclarou presidente do Conselho Deliberativo e anunciou a anulação do afastamento de Augusto Melo, determinando seu retorno à presidência da diretoria.
À época, Maria Angela exercia a função de primeira-secretária do Conselho Deliberativo. Ronaldo Fernandez Tomé integrava a Comissão de Ética do clube, enquanto Paulo Juricic também fazia parte do órgão, mas havia renunciado ao cargo em 2025.
Outro conselheiro que também seria julgado, Mario Mello Junior, teve sua votação adiada em razão de questões médicas.
Entenda o episódio
Em 31 de maio de 2025, aliados de Augusto Melo invadiram a sala da presidência do Corinthians no Parque São Jorge e tentaram destituir Osmar Stabile, que ocupava interinamente o comando do clube.
Durante a ação, Maria Angela Ocampos declarou-se presidente do Conselho Deliberativo, função exercida oficialmente por Romeu Tuma Júnior.
A justificativa utilizada pela conselheira foi um pedido da Comissão de Ética que solicitava o afastamento de Romeu Tuma Júnior. Como o primeiro vice-presidente do Conselho, Roberson de Medeiros, encontrava-se afastado por licença médica, Maria Angela alegou que assumiria automaticamente a presidência do órgão.
Tanto Romeu Tuma Júnior quanto Osmar Stabile rejeitaram a medida e classificaram a iniciativa como ilegítima.
Órgãos do clube contestaram a ação
Dias após o episódio, a Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo e o Conselho de Orientação (Cori) divulgaram uma carta aberta afirmando que não havia respaldo estatutário para as medidas adotadas por Augusto Melo e seus apoiadores.
Os órgãos destacaram que a Comissão de Ética é subordinada ao Conselho Deliberativo e que Romeu Tuma Júnior não havia sido formalmente notificado sobre qualquer processo que justificasse seu afastamento.
Ainda no dia da invasão, o advogado Leonardo Pantaleão, que prestava assessoria jurídica à gestão interina, registrou boletim de ocorrência por constrangimento ilegal, cárcere privado, ameaça, injúria e tumulto.
Augusto Melo foi afastado definitivamente
Meses depois, em 9 de agosto de 2025, os associados do Corinthians confirmaram a destituição definitiva de Augusto Melo da presidência do clube.
Na votação, 1.413 sócios apoiaram o afastamento, enquanto 620 votaram contra. Também foram registrados dois votos em branco e dois nulos.
A decisão consolidou o encerramento da crise política iniciada após a tentativa de retomada do poder no Parque São Jorge.







