
O consumo de bebidas alcoólicas entre adolescentes e jovens adultos continua preocupando especialistas devido aos impactos que pode causar em uma fase decisiva do desenvolvimento cerebral. Embora frequentemente associado a momentos de lazer e socialização, o álcool pode afetar funções importantes como memória, aprendizado, controle emocional e tomada de decisões.
De acordo com especialistas, o cérebro humano segue em processo de maturação até aproximadamente os 25 anos. Durante esse período, estruturas responsáveis pelo planejamento, julgamento e controle dos impulsos ainda estão em desenvolvimento, tornando os jovens mais vulneráveis aos efeitos da bebida alcoólica.
Segundo o neurologista Alexandre Bossoni, a exposição ao álcool nessa fase pode interferir diretamente na formação das conexões neurais. Áreas como o córtex pré-frontal e o hipocampo, fundamentais para o raciocínio, a memória e a aprendizagem, estão entre as mais afetadas.
Além dos impactos cognitivos, o álcool também atua sobre os sistemas cerebrais ligados à recompensa e à motivação. Para o psiquiatra Gustavo Nunes Silva, o uso frequente pode aumentar o risco de dificuldades de atenção, prejuízos cognitivos persistentes e transtornos psiquiátricos.
O chamado binge drinking — consumo excessivo de grandes quantidades de álcool em curto período — é apontado como uma das práticas mais prejudiciais. Episódios recorrentes podem provocar apagões de memória, dificuldade de concentração e lentidão no raciocínio, com efeitos que podem se prolongar mesmo após o término da intoxicação.
A saúde mental também pode sofrer consequências. O consumo frequente está associado ao agravamento de quadros de ansiedade e depressão. Embora muitos jovens recorram à bebida para aliviar a timidez ou o estresse, especialistas alertam que o efeito pode ser contrário ao esperado ao longo do tempo.
Sinais de alerta e risco de dependência
Entre os principais sinais de que o consumo de álcool está afetando a saúde estão a queda no desempenho escolar ou acadêmico, alterações de humor, problemas de sono, esquecimentos frequentes e a necessidade de ingerir quantidades cada vez maiores para alcançar os mesmos efeitos.
Outro ponto de atenção é o risco elevado de dependência química. Estudos indicam que pessoas que começam a consumir álcool antes dos 15 anos apresentam maior probabilidade de desenvolver transtorno por uso de álcool na vida adulta.
Especialistas reforçam que não existe uma quantidade considerada segura de álcool para adolescentes e jovens que ainda estão em fase de desenvolvimento cerebral. A recomendação é reduzir ao máximo a frequência e a quantidade consumida para preservar a saúde cognitiva, emocional e social ao longo da vida.
Com informações de Metrópoles







