CIDADE DO VATICANO, 23 JUN (ANSA) – O papa Francisco comparou a guerra iniciada pela Rússia na Ucrânia com a passagem bíblica sobre os irmãos Caim e Abel – quando o primeiro matou o irmão – durante a assembleia da Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais (Roaco) nesta quinta-feira (23).   

“Eu vos peço que continuem a ter diante de seus olhos o ícone do bom samaritano: vocês fizeram e sei que continuam a fazer também pelo drama causado pelo conflito que no Tigré novamente feriu a Etiópia e em parte a vizinha Eritreia, e sobretudo, pela amada e martirizada Ucrânia. Lá, voltou-se ao drama de Caim e Abel. Foi liberada uma violência que destrói a vida, uma violência luciferiana, diabólica, a qual os que creem são chamados a reagir com a força da oração, com a ajuda concreta da caridade, com cada meio cristão para que as armas deem lugar às negociações”, afirmou aos religiosos.   

Francisco ainda agradeceu a Roaco por ter contribuído com a “caridade da Igreja Católica e do Papa na Ucrânia e nos países onde foram acolhidos refugiados”.   

“Na fé, sabemos que as alturas do orgulho e da idolatria humanas serão abaixadas, e acalmados os vales de desolação e das lágrimas, mas queremos também que seja cumprida a profecia de paz de Isaías: que um povo não levante mais a mão contra outro povo, que as espadas se tornem-se arados e as lanças, foices”, pontuou citando mais uma passagem bíblica.   

No entanto, o líder católico reconheceu que no momento “tudo parece andar na direção oposta” ao que Isaías previu ao afirmar que hoje “a comida diminui e o barulho das armas aumenta”. “É o sistema de Caim que rege hoje a história, mas não paremos de rezar, de jejuar, de socorrer e de trabalhar para que os sentinelas da paz encontrem espaço na selva dos conflitos”, finalizou.   

O Vaticano vem cobrando publicamente que os alimentos, especialmente os grãos produzidos pela Ucrânia, um dos maiores em produção no mundo, não sejam usados como armas de guerra e agravem ainda mais os problemas da segurança alimentar, especialmente, nos países mais pobres. (ANSA).

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