O investigador da Polícia Civil Luciano Granjeiro foi alvo da Operação Piloto de Fuga, da Polícia Federal. Defesa e Sindepol afirmam que provas apresentadas ao Ministério Público apontam ausência de participação do policial nos fatos investigados

A prisão do investigador da Polícia Civil do Amazonas, Luciano de Souza Granjeiro, durante a Operação Piloto de Fuga, deflagrada nesta terça-feira (9) pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público do Amazonas, ganhou um novo capítulo após a divulgação de uma petição protocolada dias antes na 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial (Proceap).

O documento, encaminhado em 1º de junho pela defesa do policial, solicita o reconhecimento de sua não participação nos fatos investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público relacionados ao roubo de ouro ocorrido em Manaus, em outubro de 2025. Na petição, os advogados sustentam que Luciano Granjeiro não possuía qualquer envolvimento com a utilização da viatura descaracterizada que estaria sob investigação e apresentam elementos que, segundo a defesa, comprovam sua ausência no local dos fatos.

A argumentação apresentada à Promotoria também foi reforçada pelo Sindicato dos Escrivães e Investigadores de Polícia do Amazonas (Sindepol), que afirma ter alertado previamente o Ministério Público sobre a inexistência de indícios que vinculassem o investigador ao episódio que motivou a operação policial.

Segundo o sindicato, foram anexados vídeos e registros de monitoramento que mostrariam o policial em sua residência e posteriormente buscando o filho em uma academia localizada na Avenida das Torres, em horário incompatível com os fatos investigados. A entidade também informou ter apresentado imagens do veículo utilizado pelo investigador circulando em local distinto daquele apontado nas investigações.

Na exposição de motivos entregue ao Ministério Público, a defesa afirma que, no dia 29 de outubro de 2025, Luciano Granjeiro conduzia uma viatura Toyota Hilux durante o expediente e que o veículo Ônix prata citado nas investigações estava sob responsabilidade de outros policiais civis envolvidos em diligência diferente. O documento destaca ainda que, após o trabalho, o investigador retornou para casa e saiu apenas para buscar o filho, movimentação que, segundo os advogados, seria comprovada por imagens de câmeras de segurança.

A petição também relata que, no dia seguinte aos fatos, Luciano participou apenas de uma diligência oficial para recolher a viatura Ônix, ação que, conforme a defesa, foi comunicada formalmente à Polícia Federal e à Polícia Civil do Amazonas, afastando qualquer suspeita de irregularidade.

Além de requerer o reconhecimento da ausência de participação do investigador, os advogados solicitaram ao Ministério Público a juntada imediata das provas audiovisuais apresentadas, a obtenção de imagens de câmeras de segurança do condomínio onde a viatura teria sido deixada e, caso existam informações que atribuam participação criminosa ao policial, que esses dados sejam reavaliados à luz dos elementos apresentados pela defesa.

Apesar da manifestação encaminhada à Proceap e do posicionamento do Sindepol, a Polícia Federal cumpriu mandado de prisão preventiva contra Luciano Granjeiro durante a Operação Piloto de Fuga, desdobramento das investigações sobre o roubo de ouro ocorrido em Manaus. As apurações seguem sob sigilo e têm como objetivo identificar todos os envolvidos no esquema criminoso investigado.

Petição

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