Com o objetivo de dar visibilidade e promover a implementação de políticas públicas relacionadas a um segmento específico da educação especial, a Prefeitura de Manaus realizou na sexta-feira, 26/4, o 1º Simpósio de Altas Habilidades e Superdotação, que teve como tema “Desafios para o século 21”. O evento ocorreu no auditório da reitoria da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), localizado no bairro Flores, zona Centro-Sul, e foi coordenado pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), por meio do Centro Municipal de Educação Especial (CMEE) André Vidal de Araújo.

Participaram do simpósio professores da rede municipal de ensino e pais de crianças com altas habilidades. O evento contou com palestras de servidores da Semed, da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), UEA e da Fundação Vitória Amazônica (FVA). O simpósio também teve uma apresentação cultural do Centro Municipal de Arte Educação (CMAE) Aníbal Beça.

De acordo com o Plano Nacional de Educação Especial (PNEE) de 2008, alunos com altas habilidades são aqueles que demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: artes, intelectual, psicomotricidade ou acadêmica. A Semed atende aproximadamente 20 estudantes com altas habilidades a partir do Projeto de Altas Habilidades/Superdotação (PAHS), existente desde 2013, além de realizar diagnóstico com outros alunos.

A secretária municipal de Educação, Kátia Schweickardt, reitera que esse tipo de iniciativa é importante por ser dever do poder público garantir direitos e tratar todos de forma adequada. Para ela, esse tipo de trabalho desenvolvido pela Semed conscientiza sobre a necessidade do diagnóstico em diversos aspectos dos estudantes da rede.

“Essa iniciativa surgiu por termos muita dificuldade de que consigamos fechar o diagnóstico dessas crianças. Elas apresentam, muitas vezes, dificuldades de permanecer em sala de aula, os professores não compreendem muito bem aquele comportamento e por isso a gente precisa estudar mais para ajudar os professores a realizar esse diagnóstico e garantir que esses estudantes tenham direito a conteúdos complementares”, comentou.

Durante o encontro foi destacada a importância do diagnóstico por existirem diversas áreas em que a criança ou o jovem podem apresentar altas habilidades. A diretora do CMEE, Reni Formiga, informou que a unidade de ensino trabalha essas especificidades.

“O CMEE desenvolve essa ação com esses alunos por meio do programa de atendimento onde eles participam na área em que se destacam. Nós temos no programa alunos de diversas escolas que vêm para ter um suporte e uma motivação”, explicou.

A gestora acrescentou ainda que a ideia do simpósio surgiu em 2016, quando ela participou de um evento em Brasília e começou a visualizar a importância de divulgar para a sociedade a necessidade de falar sobre a deficiência de forma positiva.

Um dos exemplos da diversidade em Altas Habilidades é Gustavo dos Anjos, do 7º ano, que contou que antes de participar do programa se sentia deslocado. “Eu sempre fui muito diferente, de ficar desenhando em um canto, sozinho, sem participar muito. Mas pessoas nunca entenderam. Para elas eu apenas desenhava bem. Eu me sinto melhor agora, porque antes eu não me entendia e as outras pessoas também, agora isso está mudando”, completou.

E a mãe do Gustavo, a educadora social Maira dos Anjos, acrescentou que esse trabalho desenvolvido auxilia tanto a criança, quanto as famílias também, por conta das dificuldades de reconhecimento dessa condição.

“Acho que esse reconhecimento de que o aluno tem algo a mais a oferecer é a maior dificuldade que enfrentamos hoje e esse simpósio é muito importante para os alunos, para os educadores e para as famílias”, pontuou.

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