Na origem da criação do mundo Deus em sua infinita bondade criou o ser humano a sua imagem e semelhança e a colocou-o no paraíso terrestre cheio de liberdade. No entanto, logo quando o homem viu diante de si a possibilidade de alcançar a imortalidade, não pensou duas vezes, escolheu o caminho do pecado, e consequentemente da escravidão.

Observando à história do pensamento ocidental detectamos vários casos em que o povo vivia em liberdade e caiu na escravidão por confundir mentira e verdade, falso e verdadeiro. É sobre isso que trato nesse artigo, sobre a importância da verdade.

Primeiramente vemos o povo Hebreu que por confundir verdade com mentira perdeu a liberdade e tornou-se escravo numa terra estranha, sendo obrigados a servir ao faraó e seus deuses. O povo Hebreu viveu assim até surgir Moisés, que era um homem inconformado com a injustiça e a opressão apregoada pelos egípcios.

Tempos depois, nesse mesmo sentido, aparece Jesus Cristo pregando contra os falsos religiosos que tentavam confundir o povo. Para aqueles que não sabiam distinguir verdade e mentira, falso e verdadeiro, Jesus dizia: “Se permanecerdes na minha palavra, sois realmente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).

Assim, observa-se que desde os tempos mais remotos o ser humano nunca soube lidar com a liberdade. O que esperar, então, de um povo que “clama” pela volta de um dos períodos sabidamente mais obscuro de sua história? Será que esse mesmo povo sabe que quando a ditadura é instalada no país o cidadão não tem direito e liberdade de pedir o seu fim?

Historicamente já foi constatado, desde a Grécia antiga aos dias atuais, que a democracia é o melhor regime político. Isso porque somente a democracia permite que pessoas ou organizações peçam o seu fim, como as manifestações que vem acontecendo no país nos últimos meses.

Ao contrário, num sistema ditatorial isso jamais aconteceria. Primeiramente porque o cidadão perde os direitos políticos, a censura é estalada e não se tem liberdade de expressão. Somente quem odeia a liberdade e ama a escravidão pede à volta da ditadura militar. Enfim, aí reside a contradição daqueles que pedem a volta do regime militar.

Por outro lado, a ditadura militar, como qualquer regime totalitário, adora confundir o povo, trocando a verdade pela mentira e o verdadeiro pelo falso. Esclareça-se aqui que verdade é a qualidade daquilo que é verdadeiro, e mentira é aquilo que é falso. Também o é, pela mesma razão, na grande maioria dos casos, a reputação e a popularidade de muitos políticos desse país.

Foi isso que o filósofo italiano Maquiavel tratou em sua obra “O Príncipe”, afirmando que à qualidade que faz um governante ser amado ou temido por seu povo depende das vantagens e benefícios que ele recebe para manter-se no poder. Assim, “ter servos é poder, como também ter amigos, pois isso significa união de forças”.

A importância da verdade é, como para todos os seres humano, ser sujeito e não servo. Por fim, e não menos importante, sejamos sujeitos da história e não defensores de um regime que tanto fez mal as pessoas. Não tenhamos medo da verdade, pois a verdade vencerá a mentira. Olhemos para o futuro, e não para o passado. Sejamos democráticos e não ditatoriais. E viva à democracia!!!  

Luís Lemos

Filósofo, professor universitário e palestrante. Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2011), O homem religioso – A jornada do ser humano em busca de Deus (2016); Jesus e Ajuricaba na Terra das Amazonas: Histórias do Universo Amazônico (2019). E-mail: [email protected]

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