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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Neurocientista defende que aulas não podem mais começar às 7h

Foto: Foto: Gustavo Morita

A adaptação dos horários escolares para adolescentes, especialmente em lugares como o Brasil, cujas aulas podem começar até 7h, é uma discussão que cresce no mundo, impulsionada pelo apelo de cientistas. Um dos nomes brasileiros que fazem coro ao discurso é o neurocientista Fernando Louzada.

Doutor em Neurociências e Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP), o pesquisador atualmente coordena o Laboratório de Cronobiologia Humana da Universidade Federal do Paraná (UFPR), de onde também é professor, e participa da Rede Nacional de Ciência para Educação (Rede CpE) e do Núcleo Ciência pela Infância (NCPI).

Em entrevista ao GLOBO, Louzada cita experiências nacionais que mostram os benefícios de se adiar em ao menos uma hora o começo das aulas, explica que adolescentes sofrem de uma tendência natural a atrasar o momento de dormir e esclarece que a faixa etária demanda uma quantidade maior de horas de sono, que não é alcançada com o modelo de ensino atual.

Quanto de sono os adolescentes precisam e de que forma o horário das aulas escolares no Ensino Médio brasileiro, que começam geralmente às 7h, interferem nessa dinâmica?

Os adolescentes precisam de mais sono do que os adultos, em média de nove horas. Só que existe um fenômeno nessa idade chamado de atraso de fase do sono, que é uma tendência natural e universal a atrasar os horários de dormir e, consequentemente, de acordar também. Por isso, verificamos que a maioria dos adolescentes, principalmente nos grandes centros urbanos, dormem bem menos que isso durante os dias letivos.

A equação é bem simples. Se as aulas começam às 7h, e muitos precisam acordar às 6h para chegar a tempo, seria necessário dormir às 21h. Mas é muito difícil pensar em adolescentes, com a tendência ao atraso do sono, dormirem nesse horário. Por isso, não há como um horário de início das aulas às 7h preservar o sono necessário dos adolescentes, o que levou muitos países a implementarem um horário mais tarde, e temos discutido muito isso aqui no Brasil.

Como saber que o atraso de fase do sono é algo inerente ao adolescente, e não resultado de hábitos que prejudicam o descanso, como excesso de telas?

Sempre recebemos essa pergunta, se o fenômeno é biológico, ou seja, está mais incorporado à espécie humana, ou se é cultural, influenciado pelos hábitos e pela cultura. Nós temos estudado isso de diversas maneiras. Uma delas, foi estudando comunidades rurais, populações sem acesso a energia elétrica, no Brasil e em outros países, e observamos que essa tendência é universal, presente em todos os adolescentes avaliados independentemente do local. Mas é claro que o ambiente urbano, o acesso às tecnologias, televisão, videogame, computador, tudo isso exacerba o atraso, porque só o estímulo luminoso sozinho já é capaz de aumentar a tendência a adiar o sono.

Com O Globo.

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