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Manaus — A desnutrição infantil, um desafio persistente no Brasil, agrava-se com o impacto das verminoses, que afetam diretamente a absorção de nutrientes e o desenvolvimento cognitivo das crianças. A nutricionista Flávia Garcia destaca a urgência de atenção a essa questão, especialmente frente aos dados alarmantes de desnutrição.

De acordo com o relatório ‘Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2025’ da Fundação Abrinq, 3,8% das crianças brasileiras menores de cinco anos estavam desnutridas em 2023, com a Região Norte apresentando o índice mais alto, de 4,7%. O estudo revela ainda que 280 mil crianças dessa faixa etária estavam abaixo do peso ideal e 859 mil com altura aquém do esperado.

Flávia Garcia explica que os parasitas intestinais interferem significativamente no sistema digestivo, comprometendo a digestão, absorção e eliminação de nutrientes essenciais. “Quando não tratadas adequadamente, essas infecções aumentam as necessidades nutricionais da criança e geram quadros de desnutrição, que podem evoluir para patologias mais graves”, alerta a profissional.

Os nutrientes mais afetados incluem ferro, vitamina A, proteínas, ácido fólico, cálcio e zinco, todos cruciais para a imunidade e para o desenvolvimento físico e cognitivo. A deficiência desses elementos, segundo a especialista, tem reflexos diretos na aprendizagem. “Existe total relação entre desnutrição e baixo rendimento escolar. A falta de nutrientes essenciais compromete o desenvolvimento físico e mental, prejudicando a memória, atenção e aprendizado”, afirma.

A vulnerabilidade se acentua a partir dos dois anos de idade, quando o sistema imunológico ainda está em formação, mas se estende a crianças maiores e adolescentes. Por isso, a nutricionista recomenda a desparasitação regular, de uma a duas vezes ao ano, sempre com acompanhamento profissional.

Sinais como anemia, fraqueza, palidez, dificuldade de concentração, agitação, bruxismo noturno e baixo peso podem indicar problemas relacionados a verminoses. As parasitoses mais comuns na infância são a ascaridíase, amebíase e giardíase, além da toxoplasmose, que tem sido frequentemente observada em adolescentes.

A desparasitação é uma estratégia preventiva fundamental, pois, ao eliminar os parasitas, garante-se que a criança absorva vitaminas e minerais de forma mais eficaz, fortalecendo a imunidade e promovendo o crescimento saudável. Flávia Garcia enfatiza que, além da prevenção e tratamento, uma nutrição balanceada é vital para a recuperação.

“A alimentação reparadora, rica em vitaminas e minerais, fortalece o sistema imunológico e ajuda na recuperação nutricional. A melhor dica é não deixar que os parasitas se instalem, unindo sempre acompanhamento médico e nutricional”, conclui.

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