Rodrigo Bacellar, deputado estadual licenciado e ex-presidente da Alerj, voltou a ser alvo de buscas nesta terça-feira em nova fase de investigação conduzida pela Polícia Federal.

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (16), no Rio de Janeiro, o desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A detenção ocorreu no âmbito da Operação Unha e Carne 2, que investiga o vazamento de informações sigilosas com possível favorecimento à facção criminosa Comando Vermelho.

Macário Judice Neto é o relator do processo que envolve o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, que está preso sob acusação de vínculos com a organização criminosa. Segundo as investigações, informações confidenciais relacionadas ao caso teriam sido repassadas de forma indevida, comprometendo a atuação do sistema de Justiça.

A nova fase da operação aprofunda apurações iniciadas anteriormente e que já haviam resultado na prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. De acordo com a Polícia Federal, os trabalhos buscam identificar conexões entre agentes públicos, membros do Judiciário e integrantes do crime organizado no estado.

Após a prisão, o desembargador foi encaminhado à sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro, onde permanece sob custódia. A PF não informou, até o momento, se foram cumpridos outros mandados relacionados à investigação.

Histórico do magistrado

Macário Judice Neto retornou à magistratura em 2023, após permanecer afastado por cerca de 17 anos. O primeiro afastamento ocorreu em 2005, por decisão do próprio TRF-2, no contexto de uma ação penal que apurava sua suposta participação em um esquema de venda de sentenças, quando ainda atuava como juiz federal no Espírito Santo. Apesar do histórico, ele acabou sendo promovido ao cargo de desembargador após o retorno às funções.

As investigações atuais também alcançam pessoas próximas ao magistrado. A esposa de Macário, Flávia Judice, atuava até o início do mês passado no gabinete da diretoria-geral da Alerj. A exoneração ocorreu no momento em que as apurações envolvendo TH Joias já estavam em curso.

A Operação Unha e Carne 2 segue em andamento, e a Polícia Federal afirma que novas diligências não estão descartadas. O objetivo é esclarecer o alcance das suspeitas e responsabilizar eventuais envolvidos no suposto esquema de cooptação de agentes públicos por organizações criminosas.

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