Adail Pinheiro, prefeito de Coari, aparece fora da lista dos 10 mais ricos e figura como o 4º com menor patrimônio declarado no interior do Amazonas.

A lista do ranking dos 10 prefeitos mais ricos do interior do Amazonas ocupou os principais espaços dos veículos de comunicação do estado neste final de ano de forte “temporais e trovoadas” a causar arrepios na espinha dorsal de muitos tantos em véspera de ano eleitoral.

Apesar da enxurrada de comentários que inundaram as redes sociais, na ortodoxia de um país eminentemente capitalista não é proibido a ninguém de ser rico.

Dois fatos, entretanto, pela singeleza analítica do ranking dos 10+ chamam a atenção até mesmo dos leitores menos atentos:

1 – Quase metade dos 10+ serem prefeitos de municípios do Alto Solimões – todos muito pobres (Fonte Boa, 2º; Santo Antônio do Içá, 5º; Amaturá, 7º, e São Paulo de Olivença, 9º);

2 – Conhecido Brasil afora por sua fortuna -consultar google “operação vorax” -, Adail Pinheiro, prefeito de Coari, o quarto mais pobre, não aparece entre os 10+, assim como os prefeitos dos maiores municípios e os mais ricos, como Manacapuru, Tefé, Itacoatiara, Presidente Figueiredo e Humaitá, por exemplo.

Num país onde o mandato político eleitoral, como raríssimas exceções, nem sempre é marcado pela força da liderança do candidato, mas pelo roda que movimenta o poder econômico, até que é razoável admitir que o prefeito de Uarini, Marcos Martins (União Brasil), o mais pobre, não tenha bens à declarar.

Existem outras exceções, claro.

Mas é preciso destacar que Uarini elegeu Marcos Martins com 4.491 votos, que o município tem apenas 13 839 habitantes, segundo o censo de 2021, IDH que decresceu de 0,611 para 0,599 e como destaque econômica a cultura da mandioca da qual se fabrica a farinha de Uarini – longe de desperta a sede política e de poder dos ricos pelo poder.

Nesse caso basta ser “compadre” de meia dúzia de ribeirinhos e o mandato estará “assegurado”.

Ser prefeito de Coari, entretanto, município dono do royalty do petróleo e do gás natural do Amazonas, exige muito que meia dúzia de compadres. Quem sabe ter afilhados em todo município, ajudasse.

Ainda assim, ser compadre de toda população e ter o nome sujo que nem “pau de galinheiro”, não ganha eleição em lugar algum, não voga.

Adail Pinheiro, envolvido em condenações e escândalos, como pedofilia, orgia sexual e escândalo milionários em licitação e contratos escancaradamente divulgados pela Polícia Federal, foi eleito com 51,12% dos votos válidos, totalizando 20.316 votos.

Outro santinho do “pau oco” é o prefeito de Santa Isabel do Rio Negro, reeleito com 59% dos votos válidos.

José Ribamar Beleza foi condenado por desvios de recursos federais na área da educação, resultando na suspensão de seus direitos políticos até 2026, mas o TRE-AM garantiu o seu registro de candidatura por 5 votos a 1.

O caso é controverso e ainda não há uma data definida para a continuidade do processo.

De acordo com o procurador-geral do TRE-AM, Rafael da Silva Rocha, o prefeito foi condenado pela Justiça Federal, o que resultou na suspensão de seus direitos políticos até 2026.

Esse histórico de condenação foi um dos fatores que levou a juíza Mara Elisa Andrade a votar pela cassação de seu registro, pois a Lei da Ficha Limpa proíbe a candidatura de políticos com condenações em sentença transitada em julgado.

RANKING

1 – Augusto Ferraz (União Brasil), de Iranduba: R$ 8.373.883,65

2 – Dr. Lázaro (Republicanos), de Fonte Boa: R$ 7.777.657,21

3 – Toco Santana (Republicanos), de Borba: R$ 6.878.731,04

4 – Bosco Falabella (União Brasil), de Urucará: R$ 6.256.700,88

5 – Cecéu (MDB), de Santo Antônio do Içá: R$ 2.425.593,11

6 – Mateus Assayag (PSD), de Parintins: R$ 1.493.208,93

7 – Nazaré Rocha (MDB), de Amaturá: R$ 1.328.000,00

8 – David Almeida (Avante), de Manaus: R$ 1.277.906,77

9 – Gibe Martins (União Brasil), de São Paulo de Olivença: R$ 1.200.000,00

10 – Darlan Taveira (União Brasil), de Barreirinha: R$ 1.196.000,00

11 – Sales de Oliveira (Republicanos), de Tonantins: R$ 1.130.000,00

12 – Tonho (União Brasil), de Codajás: R$ 1.100.000,00

13 – Pedro Guedes (PSD), do Careiro da Várzea: R$ 1.057.428,48

14 – Dedei Lobo (União Brasil), de Humaitá: R$ 1.004.794,16

15 – Adaildo Melo (União Brasil), de Guajará: R$ 862.889,38

16 – Lúcio Flávio (PSD), de Manicoré: R$ 854.179,55

17 – Frank Barros (MDB), de Boca do Acre: R$ 845.297,54

18 – Emerson Mello (Podemos), de Beruri: R$ 830.000,00

19 – Renato Afonso (PSD), de Pauini: R$ 750.000,00

20 – Zé Roberto (União Brasil), de Canutama: R$ 682.000,00

21 – Marina Pandolfo (União Brasil), de Nhamundá: R$ 655.001,00

22 – Gamaliel Andrade (União Brasil), de Tapauá: R$ 588.000,00

23 – Airton Siqueira (MDB), de Carauari: R$ 581.181,84

24 – Paula Augusta (PSDB), de Ipixuna: R$ 580.000,00

25 – Otávio Farias (União Brasil), de Novo Airão: R$ 580.000,00

26 – Lucenildo Macedo (União Brasil), de Alvarães: R$ 562.000,00

27 – Jander Barreto (União Brasil), de São Sebastião do Uatumã: R$ 510.000,00

28 – Thomé Neto (PP), de Autazes: R$ 500.000,00

29 – Katia Dantas (MDB), de Anamã: R$ 490.706,00

30 – João Campelo (MDB), de Itamarati: R$ 480.000,00

31 – Professora Áurea (MDB), de Eirunepé: R$ 476.569,56

32 – Régis Nazaré (Republicanos), de Anori: R$ 430.000,00

33 – Ivon Rates (PSD), de Envira: R$ 421.000,00

34 – Ilque Cunha (MDB), de Juruá: R$ 359.000,00

35 – Gerlando Lopes (PL), de Lábrea: R$ 345.084,00

36 – Matulinho Braz (União Brasil), de Caapiranga: R$ 330.000,00

37 – Mara Alves (Republicanos), do Careiro: R$ 330.000,00

38 – Pastor Edir (União Brasil), de Maraã: R$ 310.000,00

39 – Professor Vanilso (União Brasil), de Japurá: R$ 309.000,00

40 – Marquinhos Macil (MDB), de Apuí: R$ 300.000,00

41 – Semeide Bermeguy (MDB), de Benjamin Constant: R$ 300.000,00

42 – Raiz Sobrinho (União Brasil), de Novo Aripuanã: R$ 300.000,00

43 – Professora Socorro Nogueira (União Brasil), de Rio Preto da Eva: R$ 300.000,00

44 – Leôncio Tundis (PT), de Urucurituba: R$ 255.000,00

45 – Professor Paulino Grana (Republicanos), de Silves: R$ 250.000,00

46 – Mário Abrahim (Republicanos), de Itacoatiara: R$ 230.000,00

47 – Fernando Vieira (PL), de Presidente Figueiredo: R$ 200.000,00

48 – Nelson Nilo (MDB), de Manaquiri: R$ 193.000,00

49 – Denis Paiva (União Brasil) , de Atalaia do Norte: R$ 150.000,00

50 – Nicson Marreira (União Brasil), de Tefé: R$ 118.000,00

51 – Professora Araci (MDB), de Nova Olinda do Norte: R$ 113.000,00

52 – Valcileia Maciel (MDB), de Manacapuru: R$ 88.893,29

53 – Radinho Alves (União Brasil), de Barcelos: R$ 60.000,00

54 – Thiago Lima (MDB), de Itapiranga: R$ 58.846,00

55 – Plinio Cruz (Republicanos), de Tabatinga: R$ 40.000,00

56 – Jarlem CB (PSD), de Boa Vista do Ramos: R$ 32.000,00

57 – Mercedes Vargas (União Brasil), de Jutaí: R$ 1.000,00

58 – Adail Pinheiro (Republicanos), de Coari: sem bens a declarar

59 – Macelly Veras (PDT), de Maués: sem bens a declarar

60 – José Beleza (União Brasil), de Santa Isabel do Rio Negro: sem bens a declarar

61 – Egmar Curubinha (PT), de São Gabriel da Cachoeira: sem bens a declarar

62 – Marcos Martins (União Brasil), de Uarini: sem bens a declarar

Artigo anteriorTornozeleira de Silvinei Vasques é achada em banheiro de rodoviária
Próximo artigoPaulo Tyrone apresenta balanço do primeiro ano de mandato