
As buscas por Roberto Farias Thomaz (foto em destaque), de 19 anos, entraram no quarto dia neste domingo (4/12) no Pico Paraná, ponto mais alto do Sul do Brasil, em meio a relatos contraditórios, depoimentos de testemunhas e questionamentos sobre a conduta da amiga que o acompanhava na trilha.
Roberto desapareceu na manhã de quinta-feira (1º), durante a descida da montanha, após passar o réveillon no local ao lado de Thayana, com quem havia se conhecido recentemente em Curitiba. Ela foi a última pessoa a ter contato direto com o jovem antes do sumiço.
Montanhistas experientes que integravam o grupo afirmaram ter alertado a amiga sobre o risco de abandonar alguém em condições físicas frágeis em um ambiente hostil como o Pico Paraná. Ainda assim, durante a descida, os dois acabaram se separando.
Ao chegar ao acampamento base, Thayana foi encontrada sozinha na barraca e não soube informar onde Roberto estava. Foi nesse momento que outros trilheiros acionaram o Corpo de Bombeiros.
Relatos de briga
Testemunhas ouvidas pela imprensa relataram que houve um desentendimento entre os dois durante a subida, após uma brincadeira feita por Roberto que teria desagradado a amiga. A situação teria gerado irritação e contribuído para a separação na trilha.
Em entrevistas concedidas posteriormente, Thayana confirmou que chegou antes ao acampamento e disse acreditar que Roberto vinha logo atrás.
Em vídeos publicados nas redes sociais, ela afirmou sentir culpa por ter se separado do amigo, reconhecendo que tinha mais experiência em trilhas e que talvez o desfecho pudesse ter sido diferente.
Em outra declaração, no entanto, a jovem disse que seguir sozinha fazia parte de seu “estilo de vida” e que decidiu correr ao encontrar outros corredores na trilha.
Investigação
A Polícia Civil do Paraná abriu investigação após o registro de boletim de ocorrência feito pela família no sábado (3). O delegado responsável informou que, até o momento, o caso é tratado como desaparecimento, sem indícios claros de crime, mas destacou que todas as versões serão confrontadas.
Familiares apontam lacunas nos relatos e defendem que os depoimentos de quem esteve com Roberto na trilha sejam analisados de forma técnica.
Para a irmã do jovem, há pontos que ainda não se encaixam sobre o momento exato da separação e o comportamento dos envolvidos.
Buscas seguem sem previsão de término
As operações de resgate contam com bombeiros, helicópteros, drones com câmera térmica, rapel e apoio de montanhistas voluntários especializados.
O Instituto Água e Terra (IAT) interditou temporariamente os principais acessos ao Pico Paraná para não comprometer as buscas.
A família pede que trilheiros experientes, especialmente aqueles que conhecem o Vale do Cacatu e a trilha do Saci, se apresentem como voluntários na base montada pelo Corpo de Bombeiros.
Até o momento, Roberto não foi localizado.
Com informações de Metrópoles.







