Nicolás Maduro é levado por agentes para tribunal dos EUA Foto: REUTERS/Eduardo Munoz

O líder deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou nesta segunda-feira a um tribunal federal de Nova York para responder a acusações de tráfico internacional de drogas, após ser capturado em uma operação militar extraordinária conduzida pelos Estados Unidos. A ação, determinada pelo presidente Donald Trump, provocou forte reação internacional e levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a discutir a legalidade da intervenção.

Considerada a maior incursão militar dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989, a operação ocorreu no fim de semana, quando forças especiais norte-americanas desembarcaram em Caracas em helicópteros, romperam o esquema de segurança e prenderam Maduro na entrada de uma sala fortificada.

Apesar da captura, aliados do chavismo seguem no comando do país. Inicialmente, o governo venezuelano adotou um discurso duro contra Washington, mas passou a sinalizar disposição para cooperação nos dias seguintes.

Trump voltou a classificar Maduro como “ditador” e “chefe de um cartel de drogas”, acusando-o de ser responsável por inundar os Estados Unidos com cocaína. Ao mesmo tempo, o presidente norte-americano não escondeu o interesse nas vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, concentradas principalmente na região do Orinoco.

O setor petrolífero venezuelano, no entanto, enfrenta décadas de declínio, marcado por má gestão, falta de investimentos e sanções internacionais, com produção média de 1,1 milhão de barris por dia em 2024, cerca de um terço do auge registrado nos anos 1970.

Após inicialmente denunciar a prisão de Maduro como um “sequestro” e uma “apropriação colonial do petróleo”, a presidente interina Delcy Rodríguez suavizou o tom no domingo. Em pronunciamento, afirmou que a prioridade do governo é manter relações respeitosas com os Estados Unidos.

“Convidamos o governo dos EUA a trabalhar conosco em uma agenda de cooperação orientada ao desenvolvimento compartilhado, dentro do direito internacional. Nossa região merece paz e diálogo, não guerra”, declarou Rodríguez.

Figura histórica do chavismo, Rodríguez, de 56 anos, é conhecida tanto por seu discurso firme quanto por um perfil pragmático, com trânsito no setor privado e defesa de políticas econômicas mais ortodoxas.

Antes da mudança de postura, Trump havia ameaçado novos ataques caso a Venezuela não colaborasse com os planos de abertura da indústria petrolífera e combate ao tráfico de drogas. O presidente também citou possíveis ações contra Colômbia, México e Cuba, afirmando que o governo cubano “parece próximo do colapso”.

No cenário internacional, a captura de um chefe de Estado estrangeiro, ainda que impopular, causou consternação global. O Conselho de Segurança da ONU deve debater as implicações legais da operação. Rússia, China e aliados de esquerda da Venezuela condenaram os EUA por violação do direito internacional.

Cuba afirmou que 32 militares e agentes de inteligência cubanos morreram durante a incursão americana, alegando que atuavam na segurança de Maduro. Já aliados tradicionais de Washington adotaram postura cautelosa, defendendo diálogo e respeito à lei, sem condenar diretamente Trump.

Maduro, de 63 anos, ex-motorista de ônibus e escolhido por Hugo Chávez como sucessor em 2013, está detido no Brooklyn, ao lado da esposa Cilia Flores. Ambos devem comparecer ao tribunal federal de Manhattan às 12h (14h em Brasília).

Segundo a acusação, Maduro teria comandado uma rede de tráfico de cocaína em associação com grupos criminosos como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Zetas, as Farc, da Colômbia, e a gangue venezuelana Tren de Arágua. Ele nega todas as acusações, alegando que se trata de uma tentativa de justificar interesses imperialistas sobre o petróleo venezuelano.

Trump também relacionou a captura ao êxodo venezuelano, destacando que um em cada cinco cidadãos deixou o país nos últimos anos, além da antiga nacionalização de ativos petrolíferos norte-americanos.

“Estamos recuperando o que foi roubado”, afirmou Trump, dizendo que empresas dos EUA retornarão à Venezuela para reconstruir o setor energético.
“Agora, estamos no comando”, concluiu.

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