
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, estaria detido em uma penitenciária federal no Brooklyn, Nova York (EUA). A unidade, conhecida como Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês), é constantemente descrita como um local “precário”, “violento” e até mesmo um “inferno na Terra”. Com mais de 1,3 mil detentos, o MDC do Brooklyn já abrigou diversas figuras conhecidas, incluindo o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin.
O Caso José Maria Marin e o Fifagate
José Maria Marin cumpriu pena no MDC entre 2018 e 2020, após ser condenado por seis dos sete crimes pelos quais respondia no escândalo do Fifagate, incluindo conspiração para fraude bancária e lavagem de dinheiro.
O Fifagate foi uma ampla operação deflagrada pelo FBI e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que revelou um esquema global de corrupção envolvendo dirigentes da Fifa, Conmebol, Concacaf e empresas de marketing esportivo. A operação ganhou repercussão mundial em 27 de maio de 2015, quando sete dirigentes da Fifa foram presos em Zurique, Suíça, a pedido da Justiça norte-americana, com Marin entre eles. O ex-presidente da CBF foi acusado de receber propinas que somaram US$ 6,5 milhões por contratos de torneios como Copa do Brasil,Libertadores e Copa América.
Brasil, Libertadores e Copa América.
Banido de qualquer atividade relacionada ao futebol, Marin foi condenado em dezembro de 2017, aos 86 anos, a quatro anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro, fraude financeira e formação de organização criminosa. A Justiça americana classificou seus atos como “roubo descarado do coração do futebol”. Ele também foi multado em US$ 1,2 milhão e teve que devolver US$ 3,3 milhões obtidos ilegalmente. Em agosto de 2018, foi obrigado a restituir cerca de US$ 137 mil a entidades como Fifa e Conmebol. Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, Marin obteve liberdade antecipada por razões humanitárias e retornou ao Brasil, vindo a falecer em julho de 2025, aos 93 anos.
MDC Brooklyn: A Prisão dos Famosos
Apesar das condições adversas, o MDC do Brooklyn é frequentemente escolhido para custodiar presos influentes e famosos. A unidade já recebeu nomes como os rappers R. Kelly (condenado por crimes sexuais) e Sean “Diddy” Combs (condenado por tráfico sexual). A defesa de Combs chegou a usar a situação da prisão, citando assassinatos e a inadequação do local, para tentar obter prisão domiciliar.
Outras personalidades de peso que passaram pelo MDC incluem:
- O ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández.
- O ex-secretário de Segurança Pública do México, Genaro García Luna.
- O narcotraficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán.
- Figuras históricas do crime organizado como John Gotti.
- Membros da Al Qaeda presos após os atentados de 11 de setembro de 2001.
Estrutura e Condições Precárias do MDC
Construído na década de 90, o MDC é um grande complexo prisional de concreto e aço localizado no Brooklyn, a poucos metros do porto de Nova York. Projetado para abrigar presos provisórios que aguardam julgamento nos tribunais federais de Manhattan e do Brooklyn, ele também mantém detentos já condenados a penas de curta duração.
A estrutura do presídio é cercada por barricadas de aço e câmeras de vigilância de longo alcance, e a segurança externa foi recentemente reforçada. Apesar de contar com espaços para práticas esportivas ao ar livre, unidade de saúde, consultório odontológico e até uma biblioteca, os relatos da mídia indicam que as celas são reduzidas e os presos permanecem confinados na maior parte do dia.
O MDC, projetado para abrigar até mil presos, opera atualmente com 1.336 detentos, a maioria aguardando julgamento. A unidade é alvo de denúncias recorrentes de violência extrema, falta de funcionários e tráfico de drogas e outros produtos ilícitos. Documentos judiciais mostraram que o MDC operava com apenas 55% do quadro de funcionários em 2024. No mesmo ano, ao menos três presos morreram esfaqueados dentro da unidade, além de dezenas de outros episódios de violência. A prisão também esteve no centro de escândalos de corrupção, com 25 pessoas – entre presos e ex-agentes penitenciários – indiciadas em março do ano passado.
Com informações de Metrópoles







