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A busca por um estilo de vida saudável e um corpo em forma, o chamado “shape”, tem se tornado uma prioridade para muitos. Contudo, a desinformação e as promessas de resultados rápidos podem levar a práticas radicais e prejudiciais à saúde. Especialistas reforçam que uma abordagem equilibrada, focada em alimentação, exercício e acompanhamento profissional, é essencial.

Alimentação e Exercício: Pilares do Bem-Estar

Para a nutricionista esportiva Gabriela Yoshimura, do Espaço Einstein de Reabilitação e Esporte, a jornada de reeducação alimentar deve ser estruturada com base em alimentos naturais e escolhas conscientes. É crucial entender o que, quando e em que proporção comer para que a alimentação seja uma aliada. Isso inclui distribuir as refeições ao longo do dia para manter a energia e controlar a fome, priorizar alimentos in natura e minimamente processados, e combinar todos os grupos alimentares.

A prática de exercícios físicos é igualmente indispensável. No entanto, o aumento abrupto da intensidade ou volume de treino sem a devida preparação física e nutricional eleva significativamente o risco de lesões. O corpo necessita de um aporte adequado de carboidratos (combustível), proteínas (construção e reparação muscular), gorduras, vitaminas e minerais (produção hormonal e saúde óssea). Sem essa base alimentar, a rotina de exercícios pode ser comprometida, resultando em estresse nos tecidos e maior risco de lesões.

4 Erros Comuns de Quem Tenta Emagrecer

  1. Focar Apenas na Aparência: Definir saúde apenas pelo reflexo no espelho é um erro. Um corpo saudável funciona plenamente, com bom metabolismo, ausência de deficiências nutricionais, bom desempenho físico, recuperação adequada, energia estável, boa qualidade de sono e humor equilibrado.
  2. Não se Consultar com um Profissional: Buscar resultados imediatos por meio de medidas extremas, como cortes drásticos de calorias ou exclusão de grupos alimentares, é perigoso. O nutricionista é fundamental para elaborar uma estratégia personalizada, com balanço calórico adequado e perda de peso saudável e sustentável. A exclusão severa de nutrientes pode levar a fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, queda de desempenho, aumento de lesões, compulsão alimentar, deficiências nutricionais (anemia, osteoporose), problemas de pele/cabelo, perda de massa muscular e o temido “efeito sanfona”. Dietas milagrosas, que prometem perdas de peso rápidas, geralmente se baseiam na perda de água, e restrições calóricas extremas acionam mecanismos de defesa que diminuem o metabolismo e aumentam a fome.
  3. Ignorar Sintomas: Quando dieta e exercícios adequados não trazem os resultados esperados, e surgem sintomas como fadiga excessiva, alterações de humor/sono, queda de cabelo, mudanças no ciclo menstrual ou palpitações, é crucial procurar avaliação médica. Desequilíbrios hormonais e metabólicos podem ser a causa. Disfunções da tireoide (hipotireoidismo e hipertireoidismo), excesso de cortisol (que favorece o acúmulo de gordura abdominal) e hipogonadismo (deficiência de hormônios sexuais) são exemplos. A privação de sono também desregula hormônios e o metabolismo, aumentando a fome e reduzindo a energia.
  4. Usar “Canetas Emagrecedoras” Sem Indicação: Os medicamentos agonistas do GLP-1, popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”, são indicados para casos de obesidade ou sobrepeso com comorbidades, e não para fins estéticos. O uso sem acompanhamento médico representa riscos significativos, como doses inadequadas, evolução terapêutica incorreta e efeitos adversos. O uso estético pode levar à perda de massa muscular, um efeito indesejado. Desde junho de 2025, a venda dessas substâncias no Brasil exige retenção da receita.

Para um corpo verdadeiramente saudável, é fundamental buscar orientação profissional e priorizar um estilo de vida sustentável, afastando-se de atalhos que comprometem a saúde a longo prazo.

Com informações de Metrópoles

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