Em artigo publicado nesta semana, o deputado federal Saullo Vianna chama atenção para o papel estratégico de Manaus no fluxo migratório venezuelano e para a necessidade de planejamento contínuo diante do agravamento do cenário político e social na Venezuela.

Segundo o parlamentar, que também é secretário municipal de Assistência Social, Manaus se consolidou como uma cidade de acolhimento, mas esse compromisso humanitário exige organização, integração entre políticas públicas e funcionamento efetivo da rede de atendimento. “Acolher, na gestão pública, significa organizar, integrar e garantir que o serviço funcione na ponta, com dignidade, método e humanidade”, afirma.

Dados da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semasc), com base no Cadastro Único de novembro de 2025, mostram que cerca de 45,1 mil migrantes e refugiados estão inseridos no sistema em Manaus. Desse total, aproximadamente 42,7 mil são venezuelanos, além de haitianos, peruanos e pessoas de outras nacionalidades.

Saullo destaca que o objetivo de apresentar esses números não é estimular preconceitos, mas orientar decisões e fortalecer políticas que já vêm funcionando. Para ele, Manaus tem conseguido responder ao desafio justamente por manter uma rede socioassistencial estruturada e ativa.

O artigo também contextualiza a rota migratória. Embora Boa Vista, em Roraima, seja a principal porta de entrada, com atuação da Operação Acolhida, parte expressiva dos migrantes segue viagem e acaba se estabelecendo em Manaus, devido à posição geográfica e à estrutura urbana da capital amazonense.

Outro ponto ressaltado é o perfil das famílias atendidas. A maioria é composta por mulheres, cerca de 27 mil inscritas, além de um número expressivo de crianças e adolescentes. Apenas na faixa etária de 7 a 11 anos, são cerca de 6,8 mil pessoas cadastradas, o que evidencia a pressão sobre serviços como assistência social, saúde e educação.

A vulnerabilidade econômica também é destaque no texto. Aproximadamente 71% desse público vive em situação de pobreza, o que torna a demanda permanente. Atualmente, cerca de 26,3 mil migrantes estão vinculados ao Bolsa Família e outros 2 mil recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Para o deputado, o enfrentamento do desafio passa pelo trabalho cotidiano da Prefeitura de Manaus, por meio de equipamentos como CRAS e CREAS, além de programas de segurança alimentar, assistência funerária, articulação com a saúde, educação e políticas habitacionais.

Saullo Vianna reforça que o alerta não deve ser visto como lamento, mas como sinal de maturidade institucional. Ele defende maior cooperação entre União, estados e municípios para que o acolhimento continue sendo feito de forma organizada, sem improviso e sem sobrecarregar a cidade.

“A migração é um fenômeno humanitário e federativo. Manaus está pronta para cooperar, compartilhar experiência e seguir sendo referência em acolhimento com organização”, conclui.

Confira o Artigo

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