
Enquanto parte da sociedade iraniana continua com protestos que pressionam a atual administração do país, apoiadores do aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do Irã desde 1989, foram às ruas em solidariedade ao governo teocrático.
Onda de Protestos no Irã: Crise Econômica e Repressão
Protestos tomam conta do Irã desde o último dia 28 de dezembro de 2025, motivados principalmente pela crise econômica no país, que há décadas é atingido por fortes sanções internacionais. Esta recente onda de manifestações é a maior desde 2022, quando iranianos realizaram atos contra a morte de Mahsa Amini, detida por não utilizar o hijab de forma correta e assassinada sob custódia policial.
As manifestações já duram 16 dias e foram registradas em 187 cidades iranianas. De acordo com a ONG Ativistas de Direitos Humanos do Irã (HRAI), baseada em Washington e com uma vasta rede de ativistas iranianos, 646 pessoas morreram durante os conflitos entre civis e forças governamentais. Desse total, 505 eram manifestantes e 133 faziam parte de forças militares ou de segurança do Irã. A repressão também resultou na prisão de 10,7 mil pessoas.
Manifestações Pró-Governo e Oposição
Convocados por autoridades iranianas, os atos em solidariedade ao líder supremo do Irã aconteceram na capital do país, Teerã, nessa segunda-feira (12/1), e também foram registrados em outras regiões. Segundo a mídia estatal iraniana, que continua operando apesar do apagão na internet que já dura mais de 96 horas, “milhares” de manifestantes compareceram. No entanto, o número exato de participantes não foi divulgado por Teerã e a informação não pôde ser comprovada de forma independente por outras fontes.
Em outros registros, é possível ver iranianos com gestos contrários a Ciro Reza Pahlavi. Desde o início dos protestos, o herdeiro do último Xá que governou o país tem incitado as manifestações e convocado greves por todo o Irã através das redes sociais. Apesar de estar nos Estados Unidos desde o fim da década de 1979, quando revoltas populares derrubaram o governo de seu pai, Reza Pahlavi é visto como o principal nome da oposição iraniana. A nova onda de protestos acendeu esperanças no político de 65 anos, que não esconde sua intenção de retornar ao país para instalar um novo governo.
Reação de Khamenei e Acusações de Intervenção Externa
Diante da mobilização, o aiatolá Ali Khamenei afirmou que o Irã deu um “aviso aos políticos americanos”. Após as manifestações, ele declarou que a determinação dos iranianos “frustrou planos de inimigos estrangeiros, que seriam executados por mercenários nacionais”.
A alegação do líder supremo iraniano surge após acusações contra os EUA. Desde o início dos violentos protestos, autoridades iranianas têm acusado o país liderado por Donald Trump de financiar pessoas de dentro do Irã para “desestabilizar” e criar caos dentro do país. Essa narrativa, na visão de Teerã, poderia justificar uma possível intervenção norte-americana, nos moldes da recente operação na Venezuela que derrubou o presidente Nicolás Maduro.
Com informações de Metrópoles







