South_agency/Getty Images

O consumo de álcool no Brasil, frequentemente integrado à rotina social, esconde uma realidade preocupante. Segundo o anuário “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, elaborado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) com base em dados do DataSUS e IBGE, o alcoolismo é responsável por 10,5% das mortes relacionadas à ingestão de bebidas alcoólicas no país, resultando em cerca de 21 óbitos diários.

Esses números ganham ainda mais peso quando somados à informação de que aproximadamente 24 milhões de brasileiros, o equivalente a 14,2% da população adulta, relataram consumo excessivo de álcool em 2024. A 3ª edição do Lenad ainda indica que o consumo médio de álcool no Brasil é de 5.3 doses por ocasião, um dado que sublinha a alta prevalência global do consumo abusivo e a importância do tema.

Entre 2022 e 2023, o país registrou um aumento de 2,8% nas hospitalizações por alcoolismo, o que se traduz em cerca de quatro internações por hora. O levantamento também mostra que 11 estados brasileiros apresentam taxas de morte por alcoolismo acima da média nacional, e oito estados superam o índice médio de internações.

Sinais de que o Consumo Ultrapassou o Limite Social

Muitas vezes, os sinais de excesso passam despercebidos, especialmente quando o indivíduo consegue manter suas atividades diárias. No entanto, o uso de álcool passa do limite quando deixa de ser uma escolha social e se torna automático e frequente, desvinculado de momentos de lazer. Isso se manifesta quando a pessoa tenta, sem sucesso, diminuir a quantidade ingerida, bebe por mais tempo do que planejava ou sente que precisa da bebida para relaxar, dormir ou enfrentar o dia.

Com o tempo, pode surgir a tolerância, exigindo quantidades cada vez maiores para obter o mesmo efeito, um indicativo de que o organismo já se adaptou à presença do álcool.

Antes mesmo dos problemas físicos, o consumo excessivo de álcool se reflete em alterações comportamentais, como:

  • Irritabilidade e variações de humor sem causa aparente.
  • Atrasos, faltas e queda no rendimento no trabalho ou nos estudos.
  • Conflitos recorrentes com familiares, amigos ou colegas.
  • Tentativas de esconder a quantidade ingerida ou mentir sobre o consumo.
  • Lapsos de memória após episódios de ingestão excessiva.

“O uso frequente deixa de ser social quando o álcool já não está ligado a uma escolha prazerosa, mas a uma necessidade. A pessoa passa a beber para conseguir manter o funcionamento do dia a dia, aliviar ansiedade, lidar com insônia ou simplesmente conseguir ‘dar conta’ da rotina. Mesmo quando ainda não há um diagnóstico de dependência, esse padrão já indica risco clínico e merece atenção”, explica a psiquiatra Renata Verna, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

A Quantidade de Álcool e o Impacto nas Relações

As mudanças de comportamento são frequentemente os primeiros indicativos de que o consumo de álcool se tornou problemático, sendo percebidas por pessoas próximas. Brigas frequentes, afastamento social, tensões familiares e problemas profissionais surgem quando a bebida interfere na rotina.

“É comum a pessoa começar a mentir, se isolar e ter dificuldades nas relações pessoais e profissionais. Esses efeitos mostram que a bebida já está influenciando escolhas e comportamentos, independentemente do número de doses”, ressalta a psicóloga Lidiane Silva, de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

Profissionais de saúde utilizam a “dose padrão” como referência – equivalente a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de destilado. O risco para a saúde aumenta quando o consumo frequente excede quatro doses por dia ou 14 por semana para homens, e três doses por dia ou sete por semana para mulheres. Essas diretrizes servem como um guia para identificar quando o consumo deixa de ser seguro, mesmo que a pessoa não se considere dependente ou ainda consiga manter a rotina.

Quando Procurar Ajuda Profissional?

É fundamental buscar orientação profissional ao surgirem sintomas como ansiedade constante, problemas para dormir, falhas de memória, dificuldade em diminuir a quantidade de bebida ou sinais físicos de abstinência, como tremores e suor excessivo. O apoio psicológico ou psiquiátrico precoce pode interromper o consumo excessivo e cuidar da saúde mental antes que as consequências para o corpo se agravem.

Com informações de Metrópoles

Artigo anteriorDefesa de Bolsonaro cita “sequelas graves” ao pedir prisão domiciliar
Próximo artigoBloco das Piranhas acontece no dia 15 de fevereiro em Manaus