PonyWang/ Getty Images

Uma pesquisa recente realizada nos Estados Unidos indica que a privação de sono, especialmente a redução do descanso profundo, eleva significativamente o risco de desenvolvimento da Doença de Alzheimer. O estudo associou a má qualidade do sono à atrofia cerebral e ao aumento do risco de demência.

Os cientistas descobriram que a falta da fase REM do sono, que está ligada aos sonhos e ao descanso mais profundo, leva à atrofia do hipocampo e das regiões entorrinal e parietal inferior do cérebro. Essas áreas são consideradas as mais vulneráveis ao Alzheimer, pois o acúmulo de proteínas tóxicas nelas acelera a progressão da demência.

Gawon Cho, neurocientista da Universidade de Yale e autor principal da investigação, afirmou: “Nossos resultados fornecem evidências preliminares de que a redução da neuroatividade durante o sono pode contribuir para a atrofia cerebral, aumentando potencialmente o risco de Alzheimer.”

Detalhes do Estudo e Limitações

O estudo, publicado em junho pela American Academy of Sleep Medicine, monitorou as noites de sono de 270 voluntários e os acompanhou ao longo de 13 anos para avaliar os impactos na saúde cerebral.

Uma limitação importante da pesquisa é que ela foi conduzida apenas com pessoas brancas, a maioria com mais de 16 anos de educação formal. Essa característica pode influenciar os dados de memória obtidos e a generalização dos resultados para outras populações.

Alterações Estruturais no Cérebro e Padrões de Sono

A análise dos dados revelou que o tempo médio de sono de ondas lentas foi de 17,4%, enquanto o de sono REM foi de 21,5% do tempo total dormido. O grupo com menos sono de ondas lentas foi associado a volumes cerebrais menores, com uma diferença de 44,18 milímetros cúbicos de atrofia na região parietal inferior para cada ponto percentual a menos de repouso profundo.

De forma similar, a mesma região parietal apresentou uma perda de 75,4 milímetros cúbicos por cada ponto percentual de redução do sono REM. Curiosamente, o índice de despertares não mostrou associação com os volumes das regiões cerebrais vulneráveis ao Alzheimer nos testes realizados. Nenhuma das variáveis de descanso foi associada a micro-hemorragias cerebrais ou lobares no grupo estudado.

Implicações e Recomendações

Os autores destacam que, assim como a insônia aumenta o risco da Doença de Alzheimer, melhorar a qualidade do sono pode oferecer benefícios proporcionais. Eles sugerem aprimorar os hábitos de descanso, como:

  • Manter uma rotina de horários regulares para dormir e acordar.
  • Garantir uma temperatura ambiente amena no quarto.
  • Evitar o uso de telas (celulares, tablets, computadores) antes de dormir.
  • Abster-se de bebidas estimulantes nas horas que antecedem o sono.

Cho conclui que “o repouso pode ser um fator de risco modificável para o Alzheimer e demências relacionadas, o que representa uma oportunidade para explorar intervenções que reduzam o risco ou retardem o início da doença.”

Com informações de Metrópoles

Artigo anteriorBloco das Piranhas acontece no dia 15 de fevereiro em Manaus
Próximo artigoAmom apresenta projeto para manter merenda a alunos vulneráveis durante férias e recesso escolar