
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se colocou como pré-candidato à Presidência da República, negou nesta quinta-feira (15) qualquer divisão interna na família Bolsonaro e afirmou que não pretende pressionar aliados por apoio neste momento. Em conversa com jornalistas após visitar o pai, Jair Bolsonaro, na Superintendência Regional da Polícia Federal, Flávio declarou que a prioridade é manter o campo conservador unido e reforçou que ainda não existe espaço para cobranças antecipadas no xadrez eleitoral de 2026.
Ao ser questionado sobre rumores de desentendimentos envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o senador foi direto: “Não tem racha nenhum”. Segundo ele, o processo eleitoral ainda está em estágio inicial. “A campanha eleitoral está longe. As pessoas têm o tempo delas e eu não vou ficar cobrando ninguém”, disse.
A fala ocorre em meio a especulações dentro do bolsonarismo após Michelle compartilhar um vídeo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e reagir a um comentário da primeira-dama paulista que afirmava que o Brasil precisa de um “novo CEO”, referindo-se ao marido. O gesto foi interpretado por parte de aliados como uma possível sinalização de simpatia por uma eventual candidatura de Tarcísio, o que gerou ruídos entre grupos alinhados ao senador.
Nos bastidores, a movimentação aumentou a percepção de desconforto após Flávio anunciar sua pré-candidatura. De acordo com relatos, o senador teria viajado a São Paulo para conversar pessoalmente com Tarcísio, mas não teria comunicado a ex-primeira-dama antes de tornar pública a decisão, o que teria ampliado a irritação entre setores próximos a Michelle.
Pesquisa Quaest e disputa interna na direita
Flávio também comentou dados de uma pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (14), que aponta crescimento do seu nome na corrida presidencial, mas ainda atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulações de primeiro e segundo turnos. O senador contestou o retrato do levantamento e afirmou que números internos mostram um cenário mais equilibrado.
“Acho que o resultado ainda não reflete bem a realidade. Não é o que as nossas pesquisas internas estão mostrando. Não existe aquela distância entre eu e o Lula”, declarou. Ainda assim, reconheceu a tendência positiva apontada: “Mostram um crescimento gigantesco, não apenas com o eleitorado bolsonarista, mas também com quem se considera nem de esquerda nem de direita”.
O levantamento, encomendado pela Genial/Quaest, também foi noticiado por veículos internacionais ao destacar Lula na liderança sobre nomes da direita, incluindo Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
Críticas sobre situação de Jair Bolsonaro
Durante a entrevista, Flávio voltou a criticar as condições às quais, segundo ele, Jair Bolsonaro estaria submetido. O senador afirmou que o pai sofre com barulho constante no local e que teria pedido um abafador para reduzir o incômodo. “Ele pediu um abafador por causa do som enlouquecedor a que ele é submetido por quase 12 horas por dia”, afirmou, antes de completar: “Isso é técnica de tortura”.
Flávio também reiterou que não pretende exigir manifestações públicas imediatas de aliados e insistiu que o grupo deve se organizar com calma para o pleito. “Tenho certeza de que, em algum momento, eles têm de estar mais ou menos efusivamente na campanha. Eu não vou ficar cobrando ninguém”, reforçou.
Michelle tenta reduzir interpretação pró-Tarcísio
Após a repercussão do comentário envolvendo o termo “CEO”, Michelle Bolsonaro buscou amenizar as leituras de que a publicação seria uma indicação de preferência por Tarcísio. Ela afirmou que interpretou a frase como uma crítica ao governo federal e uma defesa genérica de um novo comando no país, dizendo que o Brasil precisa mesmo de um novo governante — “preferencialmente”, segundo ela, Jair Bolsonaro.







