
O Irã tem enfrentado dias de intensas manifestações populares contra o custo de vida, que foram violentamente reprimidas pelas autoridades, resultando em milhares de mortes. Diante desse cenário de instabilidade, os Estados Unidos, liderados por Donald Trump, elevaram a pressão, ameaçando sancionar não apenas Teerã, mas também todos os países que mantêm relações comerciais com a República Islâmica.
A postura de Washington joga luz sobre a situação peculiar da economia iraniana. Apesar de décadas sob pesadas sanções internacionais e restrições financeiras, o país está longe de se encontrar isolado comercialmente. Em 2022, cerca de 150 países ainda negociavam com o Irã, evidenciando que as sanções redefinem a natureza do comércio, mas não o eliminam. As transações são mantidas através de parceiros alternativos, modalidades específicas e circuitos paralelos, à margem dos sistemas financeiros tradicionais.
Hidrocarbonetos e Dependência Externa Moldam a Economia Iraniana
A resiliência do comércio iraniano é explicada, em parte, pela estrutura de sua economia. O Irã exporta principalmente hidrocarbonetos, derivados de petróleo e produtos químicos. Em contrapartida, importa bens essenciais para o funcionamento de sua economia e para atender às necessidades da população, como máquinas, tecnologias, insumos agrícolas e alimentos. Essa dinâmica gera uma forte dependência externa, tornando o comércio vital tanto do ponto de vista econômico quanto social.
Para o regime iraniano, a capacidade de exportar e importar é uma condição de sobrevivência, com as receitas financiando o país e as importações mantendo parcerias estratégicas que também servem como canais diplomáticos.
China se Destaca como Principal Parceiro; Europa Mantém Relações Ambíguas
Entre os parceiros comerciais do Irã, a China se destaca como o principal. Aproximadamente 80% do petróleo exportado por Teerã no ano passado foi adquirido por Pequim, que também implementou mecanismos alternativos de pagamento para contornar as sanções financeiras. Além da China, outras economias asiáticas como Índia e Turquia também continuam a negociar com o Irã.
Surpreendentemente, mesmo os países ocidentais, que impõem sanções a Teerã, não estão totalmente ausentes do comércio iraniano. Embora as trocas com a Europa tenham diminuído drasticamente após a implementação das sanções, elas não desapareceram. A Alemanha, por exemplo, permanece um parceiro europeu ativo, especialmente nos setores farmacêutico, industrial e químico, embora os volumes sejam modestos em comparação com os da Ásia.
Essa relação com a Europa é marcada por ambiguidade: enquanto empresas veem no Irã um mercado de mais de 85 milhões de habitantes, os riscos jurídicos e financeiros atrelados às sanções freiam qualquer expansão em larga escala.
Nova Ameaça de Trump: Sobretaxas Alfandegárias
É justamente por essa persistência nas relações comerciais com o Irã que Donald Trump agora ameaça impor sobretaxas alfandegárias a países que continuam negociando com Teerã. O objetivo declarado é isolar economicamente o Irã, mas a medida pode ter como efeito colateral penalizar a atividade de empresas estrangeiras e, consequentemente, a economia dos próprios Estados parceiros.
Com informações de Metrópoles







