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O Tribunal de Contas da União (TCU) iniciará a inspeção sobre a atuação do Banco Central (BC) na liquidação do Banco Master, em um cenário onde a composição política da Corte levanta questionamentos. A maioria dos ministros do TCU foi indicada pelo Congresso Nacional, e parte desses integrantes é vista como próxima ao empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.

A Constituição estabelece que seis dos nove ministros do TCU sejam escolhidos pelo Congresso (três pela Câmara dos Deputados e três pelo Senado Federal) e os outros três pelo Presidente da República, o que explica o perfil predominantemente político da composição atual do Tribunal. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, ex-senador pelo MDB da Paraíba e indicado em 2014, foi eleito para o cargo no final de 2024. Ele é irmão do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), aliado do presidente Lula (PT).

Em 12 de janeiro, o presidente Vital do Rêgo confirmou que o Banco Central concordou com a inspeção e dará acesso a todos os documentos relacionados à liquidação do Banco Master. “Ela (a inspeção) já está acontecendo, pela reunião que fizemos hoje (12/1). Definimos que o TCU vai ter acesso aos documentos do Banco Central que foram base para o processo liquidatório – que só quem poderia liquidar era o Banco Central –, que estão à disposição já a partir de hoje. Nós temos um calendário que será ajustado pelas unidades técnicas”, informou o presidente do TCU. Ele ressaltou que o ato de liquidação é “administrativo e regulatório”, um modelo técnico que o TCU está acostumado a fazer.
Ministros com Histórico Político

Entre os ministros do TCU, vários possuem um histórico político significativo e ligações com o chamado Centrão:

  • Jhonatan de Jesus: Indicado pela Câmara dos Deputados em 2023, ex-deputado federal pelo Republicanos de Roraima e filho do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR). Sua indicação teve o suporte direto do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
  • Antonio Anastasia: Assumiu em 2022, indicado pelo Senado. Ex-governador e senador por Minas Gerais, com histórico no PSDB e forte ligação com Aécio Neves. Antes de assumir o cargo no TCU, trocou o PSDB pelo PSD.
  • Aroldo Cedraz: No TCU desde 2007, indicado pela Câmara dos Deputados. Sua trajetória política é associada ao grupo de Antônio Carlos Magalhães (ACM), da Bahia.
  • Augusto Nardes: Ingressou em 2005, após diversos mandatos como deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul.

Completam a lista de ministros: Walton Alencar Rodrigues (indicado por FHC em 1999), Benjamin Zymler (indicado por FHC em 2001) e Bruno Dantas (indicado pelo Senado em 2014), além de Jorge Oliveira (indicado por Jair Bolsonaro em 2020).

Uma nova indicação para o TCU ocorrerá em 2026, com a disputa esperada entre o deputado Odair Cunha (PT-MG), que tem bom trânsito com o Centrão e apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE).

A inspeção do TCU sobre a liquidação do Banco Master, em meio a essa configuração política, será um processo observado com atenção.

Com informações de Metrópoles

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