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O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, admitiu pela primeira vez que milhares de pessoas foram mortas durante os protestos que abalaram o país nas últimas duas semanas e meia, abrangendo 187 cidades iranianas contra o regime. Em um discurso proferido na quinta-feira (15/1), Khamenei reconheceu que as mortes ocorreram, “algumas de maneira desumana e selvagem”, e responsabilizou os Estados Unidos pelo número de vítimas. Ele criticou duramente o presidente americano, Donald Trump, chamando-o de “criminoso” por seu apoio às manifestações, e exigiu punição severa para os manifestantes.

Khamenei declarou: “Com a graça de Deus, a nação iraniana deve esmagar os sediciosos, assim como esmagou a sedição”. As autoridades iranianas também divulgaram no sábado (17/1) uma compilação de imagens que, segundo elas, mostravam indivíduos armados portando armas de fogo e facas ao lado de manifestantes comuns, apresentadas como evidência de sabotadores estrangeiros.

Outro clérigo iraniano de alto escalão, Khatami, membro influente do Conselho dos Guardiães e da Assembleia de Peritos, que nomeia o líder supremo, exigiu a execução dos manifestantes, descrevendo-os como “hipócritas armados” e “soldados” de Israel e dos EUA. Ele prometeu que esses países não deveriam “esperar paz”.

Contraste com Declarações de Trump e Realidade das Vítimas

O discurso de Khamenei contrastou fortemente com as declarações de Trump na mesma semana, que pareceu adiar um ataque militar ao Irã, afirmando a repórteres que as autoridades iranianas concordaram em suspender as execuções de manifestantes. Na noite de sexta-feira (16/1), Trump agradeceu ao Irã por suspender a execução do que ele disse serem 800 manifestantes, embora a origem desses números não esteja clara.

No entanto, grupos de direitos humanos contestam essa versão. A agência de notícias Human Rights Activists (HRANA) afirma que a repressão aos protestos continua, com mais de 3.090 pessoas mortas nos distúrbios e quase 4 mil casos ainda aguardando revisão. Dados da HRANA divulgados na quarta-feira, 14 de janeiro de 2025, indicavam 2.571 mortes, incluindo 2.403 manifestantes, 147 indivíduos ligados ao governo, 12 crianças e nove civis não participantes da mobilização.

Além das mortes, mais de 22.100 pessoas foram presas, gerando temores de maus-tratos aos detidos.

Origem e Escala dos Protestos

Os protestos, motivados inicialmente pela crise econômica e pelas sanções internacionais de longa data, começaram em 28 de dezembro de 2024, quando comerciantes foram às ruas de Teerã em resposta a uma queda repentina no valor do rial. Rapidamente, as manifestações se espalharam e as reivindicações se ampliaram, incluindo pedidos pelo fim do governo do país, o que caracterizou a onda de distúrbios mais grave e sangrenta que o Irã vivenciou desde a Revolução de 1979.

Enquanto manifestantes se opunham ao regime de Ali Khamenei, apoiadores do Líder Supremo também foram às ruas em solidariedade ao governo teocrático, inclusive em Teerã em 12 de janeiro e em outras regiões. Khamenei, por sua vez, havia declarado que o Irã deu um aviso aos políticos americanos.

Com informações de Metrópoles

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