fcafotodigital/Gettyimages

As diretrizes alimentares atualizadas pelo governo dos Estados Unidos, divulgadas na primeira semana de 2026, estrearam cercadas de polêmica. A principal razão é a reformulação da pirâmide alimentar, agora apresentada de cabeça para baixo, com carne vermelha, ovos, leite e manteiga no topo, e cereais na base. Esta inversão simbólica gerou confusão e debates entre influenciadores e até profissionais da saúde, que interpretaram o novo design como um aval para dietas low carb e com excesso de proteínas.

Controvérsia sobre Gorduras Saturadas e Proteínas

Apesar da nova representação visual, especialistas alertam que a imagem pode ser enganosa. O nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, esclarece que, nas recomendações técnicas, o limite de 10% do total de calorias diárias para gorduras saturadas ainda prevalece. Milena Gomes Vancini, nutricionista da Unifesp, reforça que o consumo excessivo dessas gorduras está associado ao aumento do colesterol LDL, elevando o risco de doenças cardiovasculares. A Associação Americana do Coração já manifestou preocupação com o possível estímulo ao exagero na ingestão de carnes e laticínios integrais.

Em vez de eliminar, a prioridade deve ser dada às gorduras insaturadas, encontradas no azeite de oliva, peixes, sementes (linhaça, chia) e oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas). As gorduras são indispensáveis para o organismo, participando da síntese de hormônios e absorção de vitaminas, mas o equilíbrio e a escolha de fontes saudáveis são cruciais.

Outro ponto de discórdia é a nova recomendação de proteína, que saltou de 0,8 grama por quilograma de peso corporal diariamente para 1,2 a 1,6 g/kg/dia. A diretriz também sugere que o nutriente seja ingerido em todas as refeições. Para o nutricionista Carlos Eduardo Haluch, da Uniguaçu, essa recomendação, embora comum na nutrição esportiva, pode não ser adequada para a população em geral. Estudos apontam uma ligação entre o excesso de proteínas de origem animal e doenças crônicas, enquanto as fontes vegetais (leguminosas como feijões, ervilhas, lentilhas, grão-de-bico) oferecem proteção, além de vitaminas, minerais e fibras.

Carboidratos: Menos Refinados, Mais Integrais

Ao contrário do que a pirâmide invertida pode sugerir, os carboidratos não foram banidos. A nova diretriz busca reduzir o protagonismo dos tipos refinados, especialmente os ultraprocessados, como cereais açucarados, biscoitos, pães e massas com farinha branca. O consenso científico, segundo Vancini, continua a valorizar os carboidratos complexos de fontes integrais, como arroz, aveia e trigo integrais, que devem compor o cardápio em duas a quatro porções diárias. Frutas, que também são fonte de carboidratos, mantêm sua importância.

A Mensagem Principal e a Comparação com o Guia Brasileiro

Para Celso Cukier, a principal mensagem das novas diretrizes americanas é o incentivo ao “consumo de comida de verdade”, com maior espaço para vegetais. Essa estratégia é fundamental para o sistema de saúde dos EUA, que enfrenta altos índices de obesidade e doenças inflamatórias crônicas.

No entanto, Carlos Eduardo Haluch defende que o Guia Alimentar para a População Brasileira, lançado em 2014 pelo Ministério da Saúde, oferece informações mais embasadas cientificamente. O guia brasileiro enfatiza que a alimentação vai além da ingestão de nutrientes, considerando a combinação, o modo de preparo e as características culturais, valorizando ingredientes tipicamente nacionais.

Com informações de Metrópoles

Artigo anteriorReportagem da Folha de S. Paulo aponta que família de Vorcaro é ligada a projeto bilionário de créditos de carbono em Apuí (AM)
Próximo artigoAnvisa determina apreensão de suplementos “Colosfort Lactoferrin Plus” falsificados