Manifestantes protestam na Groenlândia contra ameaça de anexação de Donald Trump • 17/1/2026 REUTERS/Marko Djurica

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Mark Rutte, secretário-geral da Otan, a aliança militar ocidental, chegaram a um entendimento verbal sobre a Groenlândia durante uma reunião na quarta-feira (21), mas nenhum documento formalizando a estrutura de um acordo foi produzido até o momento, disseram fontes.

Trump e Rutte concordaram em dar continuidade às discussões sobre a atualização do acordo de 1951 entre os EUA, a Dinamarca e a Groenlândia, que rege a presença militar americana na ilha, explicaram as fontes.

A estrutura do acordo garantiria que a Rússia e a China estejam proibidas de fazer qualquer investimento na Groenlândia e estabelece um papel ampliado para a Otan na ilha, acrescentaram.

Duas das fontes pontuaram ainda que outro elemento de um possível acordo seria o aumento do acesso dos EUA aos recursos naturais da Groenlândia, incluindo suas reservas minerais. Porém, Rutte negou nesta quinta-feira (22) ter discutido esse assunto diretamente com Trump.

A Casa Branca já havia declarado que os detalhes do plano seriam divulgados assim que fossem finalizados, e uma porta-voz reiterou essa informação nesta quinta.

“Se este acordo for concretizado, e o presidente Trump está muito esperançoso de que será, os Estados Unidos alcançarão todos os seus objetivos estratégicos em relação à Groenlândia, a um custo muito baixo e para sempre”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly.

“O presidente Trump está provando mais uma vez que é o negociador-chefe. À medida que os detalhes forem finalizados por todas as partes envolvidas, serão divulgados oportunamente”, adicionou.

Chefe da Otan não quis que documento fosse feito durante reunião

Uma pessoa familiarizada com as discussões disse que o chefe da Otan não queria que nenhum documento formal fosse preparado durante sua reunião com Trump porque temia que pudesse ser vazado — ou publicado pelo próprio Trump nas redes sociais.

Isso acontece após Trump ter publicado no início desta semana uma mensagem privada que Mark Rutte lhe enviou antes das conversas.

Falta de documento causa confusão entre aliados

De toda forma, a falta de qualquer documentação escrita causou alguma confusão entre os aliados da Otan sobre o que foi de fato acordado.

Um documento detalhando os termos específicos de um novo acordo deverá ser finalizado na próxima reunião do grupo de trabalho EUA-Dinamarca-Groenlândia, criado na semana passada após encontros entre autoridades dinamarquesas e groenlandesas, o secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance, segundo duas fontes.

Essa reunião poderá ocorrer já na próxima semana em Washington, D.C., afirmou uma das fontes.

Autoridades da Otan também haviam mencionado anteriormente a possibilidade de a Dinamarca permitir que os EUA construíssem mais bases militares na Groenlândia, em terras consideradas território soberano americano, disse um oficial da aliança militar

No entanto, autoridades dinamarquesas afirmaram que não houve discussões diretas entre a Dinamarca e os EUA sobre a possibilidade de conceder aos americanos parcelas de terra soberanas, e um porta-voz da Otan ressaltou que Rutte não discutiu o assunto com Trump na quarta-feira.

“A Otan está plenamente ciente da posição do Reino da Dinamarca”, disse a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, em um comunicado nesta quinta-feira.

“Podemos negociar sobre tudo em matéria política: segurança, investimentos, economia. Mas não podemos negociar sobre nossa soberania. Fui informada de que isso não aconteceu”, concluiu.

Com informações de CNN Brasil.

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