Fernando Batista de Melo, de 48 anos, foi preso no Parque Mosaico e apresentava cortes nos braços, que segundo o delegado Adanor Porto, teriam sido feitos para tentar se passar por vítima após o crime

O delegado Adanor Porto, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), afirmou que os cortes encontrados nos braços de Fernando Batista de Melo, de 48 anos, foram usados como estratégia para tentar se passar por vítima após o assassinato do próprio filho, Manoel Franco de Lima Neto, de apenas 3 anos, em Manaus. A declaração foi feita durante coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), onde as Forças de Segurança detalharam a prisão do suspeito.

Segundo o delegado, Fernando se manteve em silêncio no depoimento formal e não colaborou com as investigações.

“Gostaria de estar dando a vocês detalhes do depoimento desse indivíduo, mas infelizmente ele é tão covarde que não teve coragem de falar. Se reservou ao direito de permanecer em silêncio não porque foi instruído, mas porque é covarde mesmo”, disse Adanor Porto. Ele acrescentou que o acusado chegou a falar informalmente algumas coisas, mas optou por não registrar versão oficialmente.

Adanor Porto destacou ainda que, para a polícia, não houve real intenção de suicídio. “Em nenhum momento ele pensou em se entregar ou se matar de fato. Ele fez os cortes no braço para tentar uma imagem de vítima”, afirmou. Conforme o delegado, o suspeito teria usado os ferimentos para fazer uma chamada de vídeo com outro filho que mora fora do país, mostrando os cortes e pedindo perdão, em uma tentativa de construir uma narrativa de arrependimento.

A prisão de Fernando Batista ocorreu na madrugada deste sábado (24), por volta de 1h30, em uma área de mata no Parque Mosaico, na Zona Oeste de Manaus. De acordo com o delegado, o suspeito vinha se escondendo na região e chegou a percorrer uma área equivalente a cerca de 111 campos de futebol, o que exigiu reforço no cerco e nas buscas.

Ao ser capturado, ele teria relatado aos policiais militares que estava com fome, sede e que não aguentava mais permanecer escondido. Por conta da perda de sangue causada pelos cortes, ele estaria tonto e decidiu sair da mata em busca de ajuda, momento em que acabou interceptado por policiais militares da 16ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom).

A captura também foi confirmada pelo capitão Gamenha, do Comando de Policiamento de Área (CPA) Centro-Sul, que informou que os agentes desconfiaram ao verem uma fogueira próximo ao Cemitério Parque de Manaus, no bairro Tarumã. “A guarnição de imediato foi verificar e no local viram ele saindo da mata. Ele se apresentou dizendo que não era o assassino, que era um mendigo e que estava ali de passagem, mas conseguimos lograr êxito e capturar o indivíduo”, relatou o oficial.

O crime

Manoel Franco foi morto na quinta-feira (22), dentro do banheiro de uma quitinete localizada na rua Santo Inácio, no bairro Cidade de Deus, Zona Norte da capital. Conforme a declaração de óbito, a criança morreu por asfixia mecânica, e a suspeita é que o pai tenha impedido a respiração do menino, pressionando nariz e boca.

A polícia classificou o crime como de motivação fútil. Fernando teria se separado recentemente da mãe da criança e, após desentendimentos, a investigação aponta que ele pode ter cometido o assassinato como forma de vingança.

O corpo do menino foi levado pela mãe, a cabeleireira Antonielle Queiroz, para o município onde ela é natural e onde a família reside. No local, Manoel foi velado e sepultado.

Transferência sob forte segurança

Sob forte esquema de segurança, Fernando Batista foi retirado da DEHS por policiais civis da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) e conduzido à audiência de custódia. A medida foi adotada devido à gravidade do caso e à intensa revolta popular, com pessoas aglomeradas em frente à delegacia, exigindo operação reforçada para garantir a transferência do suspeito.

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