
A Cadillac, nova equipe da Fórmula 1, esperava atrair interesse no mercado, mas foi surpreendida pela quantidade de candidaturas recebidas antes mesmo de estrear oficialmente na categoria.
Segundo a equipe apoiada pela General Motors, a preparação para o primeiro teste de shakedown com as rivais, no circuito da Catalunha, em Barcelona, a partir de segunda-feira, também envolveu uma grande operação de contratação.
O chefe da equipe, Graeme Lowdon, afirmou à Reuters que o time, com base britânica em Silverstone, anunciou 595 vagas, com a meta de preencher 525 até o fim de dezembro do ano passado.
“Nesse período, recebemos 143.265 candidaturas, todas tiveram que ser reconhecidas”, disse Lowdon, durante a conferência Autosport Business Exchange, realizada na semana passada.
“Depois, reduzimos para 9.051 nomes e entrevistamos cerca de 6.500… e, ao final do ano, já tínhamos contratado 520 pessoas.”
“Obviamente, esse número já aumentou. O lado humano é enorme, mas o interesse também é enorme”, completou.
A Cadillac obteve aprovação em março do ano passado para entrar na Fórmula 1, após resistência inicial de equipes rivais e um processo de 764 dias, com apoio da FIA, tornando-se a 11ª equipe do grid.
Até março, o time não podia usar o termo “Fórmula 1” em anúncios de recrutamento, por questões de direitos comerciais. As vagas eram divulgadas como oportunidades no “alto nível do automobilismo”.
Equipe de veteranos
Entre os contratados estão os pilotos Sergio Pérez e Valtteri Bottas. O mexicano e o finlandês são vencedores de corridas e acumulam anos de experiência na categoria.
A maior parte dos outros profissionais veio de equipes concorrentes.
A Cadillac pretende chegar a mais de mil funcionários, número semelhante ao das principais equipes, e constrói uma sede de manufatura em Indianápolis.
Lowdon afirmou que muitos profissionais foram recrutados com base em valores centrais. “Você pode ensinar capacidade técnica, mas é muito mais difícil ensinar valores”, disse.
Com passagem entre 2010 e 2016 pela Manor Motorsport, que competiu como Virgin e Marussia, o dirigente destacou o pragmatismo e “o poder da honestidade” no desenvolvimento do projeto.
A equipe simula fins de semana de corrida desde maio do ano passado. Inicialmente, engenheiros usavam protocolos de rádio trazidos de outras equipes, até criarem um padrão próprio de comunicação.
Motor conhecido
O carro novo foi à pista pela primeira vez em Silverstone, em 16 de janeiro, sob condições de pista molhada.
Até o fim de dezembro, a equipe com motor Ferrari calculava ter um total combinado de 2.500 anos de experiência em nível de gestão, apesar de apenas nove meses de trabalho conjunto.
O desempenho da Cadillac na abertura da temporada, em 8 de março, na Austrália, ainda é incerto. Lowdon afirmou que nenhuma equipe sabe, neste momento, qual será seu nível de performance.
Segundo ele, o foco está em controlar o que é possível e conquistar o respeito das demais equipes.
“Construir esse espírito de equipe e uma forma de trabalhar não é simples. Mas estou muito satisfeito com a forma como está evoluindo”, disse Lowdon.
“Pessoas que venceram múltiplos campeonatos mundiais querem fazer parte desse projeto porque veem que é uma equipe de corrida de verdade.”
“Isso não é um exercício corporativo. Não é um projeto guiado por private equity. É uma equipe de corrida de verdade, e é isso que as pessoas querem integrar.”
Com informações de CNN Brasil.







