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Goiânia – O síndico do prédio onde a corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, desapareceu em dezembro do ano passado, em Caldas Novas, no sul goiano, foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função.

A denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Cristhiano Menezes da Silva Caires, foi oferecida no último dia 19 de janeiro. Conforme o documento, o síndico Cleber Rosa de Oliveira teria utilizado a posição de síndico para criar obstáculos à rotina de Daiane, passando a vigiá-la por meio do sistema de câmeras do condomínio e a submetê-la a constrangimentos.

A conduta do síndico incluía interferência no fornecimento de serviços essenciais dos apartamentos administrados pela vítima, como água, energia, gás e internet. Segundo a denúncia, o caso também envolve episódios de intimidação, havendo, inclusive, registro de agressão física.

Segundo o advogado da família de Daiane, Plínio César Cunha Mendonça, o homem já foi representado mais de 10 vezes por meio de processos movidos pela corretora.

Caso Daiane: MPGO denuncia síndico de prédio onde mulher desapareceu - imagem 2

Desaparecida

  • Daiane foi vista pela última vez no prédio onde a família mora, no centro de Caldas Novas, no dia 17 de dezembro.
  • Imagens de câmeras de monitoramento mostram quando a mulher foi até o subsolo do prédio para restabelecer a energia, que havia sido interrompida.
  • No vídeo, Daiane aparece no elevador pouco antes de desaparecer, por volta das 19h. Ela entra na cabine enquanto grava um vídeo para uma amiga, sai em seguida e não retorna.

Crime identificado

O MPGO identificou o crime de perseguição praticado contra Daiane, após reunir e analisar os processos já existentes entre a corretora de imóveis e a administração do condomínio onde ela morava e administrava seis apartamentos da família.

A denúncia do MP aponta que o conflito teria começado após um desentendimento relacionado à locação de um imóvel com número de hóspedes acima do permitido.

A denúncia pede ainda que, além da condenação criminal, a Justiça fixe indenização mínima por danos morais no valor de dois salários mínimos.

De acordo com o advogado que representa a família, todas as linhas de investigação seguem em curso, porém sob sigilo.

Força-tarefa

O desaparecimento de Daiane Alvez Souza passou a ser investigado pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH), sob a presidência do delegado Rodrigo Pereira.

A corporação não descarta nenhuma hipótese e reforça que quaisquer informações sobre o paradeiro da mulher podem ser repassadas, com garantia de sigilo absoluto, por meio do telefone 197 ou pelos canais oficiais da Delegacia de Polícia de Caldas Novas.

Para a perícia no apartamento da corretora, peritos aplicaram luminol, uma substância usada para identificar vestígios de sangue mesmo após limpeza, em todos os cômodos do apartamento da corretora, no hall de entrada e também em outro apartamento pertencente à família, onde a mulher morou por alguns meses.

O produto também foi utilizado no subsolo do prédio, local onde ela foi vista pela última vez, segundo imagens de câmeras de segurança. Também foram recolhidos diversos objetos pessoais como escova de dentes e fios de cabelo.

O material foi encaminhado para Goiânia, onde passa por exames laboratoriais para traçar o perfil genético de Daiane.

O objetivo é comparar o DNA com possíveis vestígios encontrados nos locais periciados, o que pode indicar se houve violência e ajudar a reconstruir os últimos momentos antes do desaparecimento. Além da análise genética, a perícia se concentra na investigação das imagens de segurança do prédio.

Segundo a Polícia Civil, o DVR, o equipamento responsável por armazenar as gravações das câmeras do condomínio está sendo analisado no Instituto de Criminalística para verificar se houve falha técnica, manipulação das imagens ou se algum arquivo foi apagado.

As investigações seguem em andamento, e a expectativa é de que os resultados dos exames de DNA e da perícia no sistema de câmeras sejam concluídos em até 20 dias.

Relacionamento difícil com moradores

Daiane tem histórico de desentendimentos com vizinhos, moradores e funcionários do condomínio. Relatos apontam que a mulher era frequentemente alvo de reclamações por barulho excessivo e comportamento agressivo.

Em agosto do ano passado, os condôminos chegaram a realizar reunião formal para discutir a expulsão da corretora do prédio. No total, 52 dos 58 moradores teriam votado a favor da medida.

Daiane é natural de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e morava em Caldas Novas.

Com informações de Metrópoles.

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