O governo Trump sustenta que os agentes agiram em legítima defesa em todos os episódios. Ainda assim, os casos recentes em Minneapolis provocaram críticas de democratas e republicanos e desencadearam protestos em várias regiões do país.
Segundo o site do National Shutdown, vídeos das ocorrências contradizem a versão oficial. A campanha afirma que as vítimas foram mortas “em plena luz do dia” enquanto exerciam o direito constitucional de protestar contra as deportações em massa.
Em sua plataforma Truth Social, Trump publicou, nesta sexta-feira, que o enfermeiro morto pelo ICE no último fim de semana era um “agitador e, talvez, um insurrecionista”. “A reputação de Alex Pretti caiu muito com o vídeo recém‑divulgado em que ele aparece gritando e cuspindo no rosto de um agente do ICE”, escreveu o presidente, referindo-se a uma gravação em que o manifestante aparece enfrentando agentes federais, 11 dias antes de sua morte.
Movimento descentralizado
O chamado para a paralisação nacional partiu de um movimento descentralizado, com apoio de grupos em cidades como Minneapolis, Cleveland e Nova York. A proposta é que a população suspenda atividades de trabalho, estudo e consumo como forma de pressionar o governo a rever as operações de imigração.
Entre os apoiadores estão organizações de defesa dos direitos humanos, como a Defend Immigrant Families Campaign, o Council on American–Islamic Relations, a Poor People’s Campaign da Carolina do Norte, o LA Tenants Union e grupos estudantis da Universidade de Minnesota. Movimentos de alcance nacional, como o grupo feminista CodePink, também aderiram.
Artistas e celebridades divulgam a greve nas redes sociais. Entre eles estão os atores Pedro Pascal, Hannah Einbinder, Edward Norton e Jamie Lee Curtis. Em uma publicação no Instagram, Pascal escreveu que “a verdade é a linha que separa um governo democrático de um regime autoritário”.
Em entrevista ao Los Angeles Times, durante o Festival de Cinema de Sundance, em Park City (Utah), Norton defendeu a ampliação do movimento. Segundo ele, o país deveria discutir “uma greve econômica nacional até que isso acabe”.
Negociações em Washington
Enquanto isso, em Washington, democratas e a Casa Branca chegaram a um acordo temporário para evitar uma paralisação parcial do governo. As partes decidiram separar o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) do restante do orçamento federal e garantir recursos para a pasta por duas semanas, enquanto seguem as negociações sobre possíveis restrições às operações do ICE.
O acordo veio após democratas bloquearem, no Congresso, um projeto que previa o financiamento integral do DHS. Nas redes sociais, Trump afirmou que republicanos e democratas “se uniram para manter a maior parte do governo financiada até setembro” e pediu um voto bipartidário favorável à medida.