Acareação entre os banqueiros Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) • Reprodução

O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), retirou última quinta-feira (29) o sigilo dos depoimentos dos banqueiros Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), além de Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central.

Daniel Vorcaro

Venda de créditos

Durante depoimento, Daniel Vorcaro afirmou não concordar com a acusação de que os créditos emitidos pela Tirreno eram falsos e disse não ter conhecimento das operações.

“Não concordo, volto a dizer: eu não sei dessas operações. A gente não aprofundou as operações na ponta, quantas eram boas, quantas estavam com documentação não enviada. A transação final não foi concluída, como dito anteriormente, foi realizada com outros ativos do BRB, e não esse. Então não posso dizer que a transação ou as carteiras eram falsas. O que posso afirmar é que a transação não existiu, nem em pagamento para a Tirreno, nem na venda para o BRB”, declarou.

Ao ser questionado se o BC (Banco Central) deveria ter identificado irregularidades antes da venda de R$12,2 bilhões em carteiras de crédito ao BRB, ele respondeu que a dinâmica de auditoria do Banco Central era quase diária e, no momento em que houve falta de documentação, “tanto o BC quanto o Master agiram com agilidade e rapidez”.

Conversas com Ibaneis

O banqueiro alegou ter conversado “em algumas poucas oportunidades” com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a proposta de aquisição do Banco Master pelo BRB.

Ele disse já ter visitado a casa do governador e vice-e-versa e, nas ocasiões, eles teriam mantido “conversas institucionais”.

Questionado sobre possíveis encontros com outros políticos, Vorcaro afirmou ter amizades em todos os Poderes, mas não nominou individualmente quem frequentava sua casa.

Em 23 de janeiro deste ano, Ibaneis confirmou à CNN Brasil que esteve poucas vezes com Vorcaro, mas que nunca tratou da operação entre o BRB e o Banco Master com o banqueiro.

“Estive com ele [Vorcaro] poucas vezes e nunca tratei sobre o banco. Toda operação de compra foi tratada diretamente com o Paulo Henrique”, disse o governador na ocasião.

Liquidez do Banco Master

Vorcaro reconheceu que o Banco Master enfrentava uma crise de liquidez.

“Existia uma crise, não era de hoje, mas o Banco Master sempre foi solvente, sempre honrou todos os compromissos até o dia 17 de novembro. Essa crise de liquidez, é importante ressaltar, foi criada por mudanças de regulação, com a pressão dos grandes bancos, que alteraram por duas vezes o FGC”, afirmou.

De acordo com ele, o problema foi provocado por mudanças no regulamento do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), já que o plano de negócios do banco era integralmente atrelado ao fundo.

“Todo o plano de negócios, desde 2018, que entregamos ao Banco Central, era baseado no FGC. O plano do Banco Master era 100% atrelado ao fundo, e não havia nada de errado nisso. Era a regra do jogo”, disse.

Ao ser questionado sobre o motivo de o banco não ter ressarcido aqueles R$ 12 bilhões ao BRB, respondeu ter sido surpreendido pelo “desfazimento em grande volume” de créditos bancários originados pela empresa Tirreno.

Tornozeleira e influência política

Ainda segundo Vorcaro, não houve “facilitação política” para viabilizar os negócios da sua instituição junto ao BRB. Segundo o banqueiro, se ele tivesse influência política tão relevante, não estaria usando tornozeleira eletrônica.

Questionado pela delegada sobre suas “relações políticas”, ele respondeu:

“Eu queria dizer só dizer o seguinte, se eu tenho tantas relações políticas como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, e não estaria aqui de tornozeleira, e não estaria aqui sendo preso, não estaria com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”.

Paulo Henrique Costa

Cobranças a Vorcaro

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou à PF que a instituição comprava mensalmente carteiras de crédito do Banco Master, mas aprofundou a análise depois de identificar diferenças no padrão documental. A partir dessa dificuldade de obter informações, disse ter cobrado pessoalmente Daniel Vorcaro.

“Quando a gente começa a perceber que as áreas operacionais estão tendo dificuldade de obter acesso às informações, como executivo me cabe escalar e cobrar pessoas num nível mais alto. Então no caso concreto quando a gerência de sessão, quando a superintendência de sessão, quando a diretoria financeira começa a ter dificuldade, a minha cobrança é direta no presidente do outro banco”, disse.

No depoimento, Costa explicou que, à época, o BRB adquiria mensalmente carteiras do Banco Master, todas com cláusula contratual de recompra.

Em dezembro de 2024, no entanto, foi comprada uma carteira que passou a gerar reclamações de clientes e questionamentos do Banco Central. No mês seguinte, o Master solicitou a recompra do ativo, aceita pelo BRB sem que soubesse se tratar de uma DPI (Declaração de Política de Investimento).

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