World Economic Forum / Benedikt von Loebell

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou uma nova onda de controvérsia nesta terça-feira (3/2) ao sugerir que o governo federal deveria supervisionar as eleições legislativas de meio de mandato, que tradicionalmente são organizadas pelos estados. Trump apelou aos republicanos para “nacionalizar” o pleito, o que provocou fortes críticas e preocupações sobre sua intenção de interferir no processo eleitoral.

As afirmações foram feitas no Salão Oval da Casa Branca, onde Trump respondeu a jornalistas sobre o papel do Executivo nos processos eleitorais estaduais, uma prerrogativa que a Constituição dos EUA reserva primordialmente aos estados.

Alegações Sem Provas e Apelo à Intervenção Federal

Em uma entrevista anterior a um podcast, Trump já havia repetido suas falsas alegações de que o pleito presidencial de 2020 – que elegeu Joe Biden – foi fraudado, afirmando que seu partido deveria “assumir o controle” e “nacionalizar” a votação em pelo menos 15 locais, sem especificar quais.

Nesta terça, ele reiterou que “O estado é um agente do governo federal nas eleições. Não sei por que o governo federal não as organiza diretamente”. Trump alegou a existência de “terrível corrupção” eleitoral em algumas cidades, mas não apresentou provas para sustentar suas acusações, uma postura que já defendeu no passado e que tem sido alvo de críticas por parte de autoridades estaduais e especialistas em eleições, que alertam para o risco de violação da autonomia dos estados.

Reações e Preocupações

O apelo de Trump para a “nacionalização” das eleições provocou críticas de legisladores, incluindo republicanos, e democratas expressaram grande preocupação de que o presidente tente manipular os resultados das próximas eleições, marcadas para 3 de novembro e cruciais para o controle do Congresso.

O senador democrata Mark Warner, da Virgínia, declarou: “Não se trata das eleições de 2020. Simplesmente trata-se do que vem a seguir”. Comentários de Trump, poucos dias após o FBI revistar o escritório eleitoral do condado de Fulton, na Geórgia, em busca de cédulas de 2020, aumentaram a apreensão de que ele planeje minar ou manipular os resultados do pleito deste ano.

Especialistas, como Brendan Nyhan, professor de ciências políticas do Dartmouth College, mostraram-se menos otimistas com as declarações de Trump, lembrando que na última vez que ele falou de forma similar, “seus aliados minimizaram os riscos, e acabamos com o 6 de janeiro”, referindo-se ao ataque ao Capitólio em 2021.

Historicamente, o Partido Republicano costuma perder cadeiras nas eleições de meio de mandato. Neste ano, os democratas precisam conquistar apenas três distritos controlados pelos republicanos para obter o controle do Congresso. Trump tem frequentemente expressado seu desejo de reformar as eleições do país, baseando-se em alegações falsas de fraude, e já pediu a proibição do voto por correspondência, questionou a segurança das urnas eletrônicas e afirmou, sem base, que milhões de não-cidadãos votam regularmente.

Com informações de Metrópoles

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