Por Luís Lemos, filósofo, professor e escritor
Antes de tudo, é preciso desfazer um equívoco que ainda persiste entre estudantes, pais, nos corredores das escolas e até mesmo nas conversas apressadas de alguns professores: Ensino Religioso não é Religião.
A religião refere-se à profissão de fé das pessoas em uma tradição religiosa específica, como o judaísmo, o cristianismo, o islamismo, o hinduísmo, budismo, etc. Ela envolve crenças, práticas e vivências pessoais ou comunitárias e, em algumas tradições, está relacionada a ideias de salvação, libertação ou condenação.
Por sua vez, o Ensino Religioso tem como objetivo principal ajudar os estudantes a compreender a diversidade de crenças, tradições religiosas e filosofias de vida presentes na sociedade. Ele ajuda na formação integral do estudante e contribui para o respeito, o diálogo e a convivência entre pessoas diferentes.
Na escola pública, o Ensino Religioso não ensina uma religião específica e não tem caráter de catequese. Seu papel não é convencer ninguém a acreditar, mas oferecer conhecimentos sobre religiões e filosofias de vida, incentivando uma postura crítica, reflexiva e respeitosa diante da diversidade cultural e religiosa.
Por meio do Ensino Religioso, os estudantes estudam temas como o sagrado, as crenças, os símbolos, os ritos, os valores e os modos de viver. Esses elementos ajudam as pessoas a dar sentido à vida, a organizar suas comunidades e a expressar diferentes visões de mundo.
O Ensino Religioso também contribui para a formação ética. Ele estimula valores como o respeito, a solidariedade, a justiça e a responsabilidade, convidando o estudante a refletir sobre suas atitudes e sobre a convivência em sociedade.
Além disso, o Ensino Religioso valoriza o diálogo. Ao aprender a ouvir o outro e a respeitar diferentes crenças e convicções, o estudante desenvolve a empatia e aprende a resolver conflitos de forma pacífica.
Assim, o Ensino Religioso se torna um espaço de aprendizagem, reflexão e convivência, promovendo o respeito à diversidade e o cuidado com a vida, ajudando os estudantes a compreender que viver em sociedade exige responsabilidade com o outro e com o mundo.





