Foto: Divulgação

Uma discussão acalorada marcou nesta segunda-feira (9) a sessão plenária do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) e escancarou divergências internas durante o debate sobre políticas educacionais no estado. O embate teve início após comentários do conselheiro Ari Moutinho Júnior, que fez ataques diretos a ex-gestores da área e também ao colega de Corte, Luís Fabian Barbosa.

A tensão surgiu depois de Fabian mencionar, em sua fala, municípios que não participaram do lançamento do Programa de Apoio à Melhoria da Qualidade da Educação no Amazonas — iniciativa do tribunal voltada à orientação das prefeituras para melhoria de indicadores educacionais e acesso a recursos federais.

Na sequência, Ari Moutinho criticou o programa, classificou a ação como inadequada e afirmou que os três últimos secretários estaduais de Educação deveriam estar presos, incluindo a atual titular da pasta, Arlete Mendonça, a ex-secretária Kuka Chaves e o próprio Luís Fabian, que já comandou a Seduc antes de assumir cadeira no TCE.

Em tom duro, Moutinho fez acusações sobre supostas irregularidades na área educacional, utilizou expressões ofensivas e chegou a desafiar Fabian a permitir a quebra de seus sigilos fiscal e telefônico, elevando ainda mais o clima da sessão.

Fabian reage e evita embate direto

Diante das declarações, Luís Fabian optou por uma resposta institucional. Disse que não perderia tempo com ofensas pessoais e ressaltou que eventuais denúncias devem ser encaminhadas aos órgãos competentes.

“Existem autoridades constituídas para investigar qualquer fato. Eu não farei uso da minha função nem da tribuna para buscar plateia”, afirmou, acrescentando que não foi ao tribunal para participar de conflitos públicos.

O conselheiro também destacou a importância do respeito ao ambiente democrático e reforçou que prefere manter o foco no trabalho técnico da Corte.

Com a escalada da discussão e sucessivas interrupções entre os conselheiros, a presidente do TCE-AM, Yara Lins, precisou intervir para restabelecer a ordem e garantir a continuidade da pauta.

“Vamos nos ater à pauta”, pediu a presidente, encerrando o embate e conduzindo novamente os trabalhos.

O episódio repercutiu nos bastidores políticos e jurídicos do estado, evidenciando o clima de tensão em torno da educação pública e a fragilidade do diálogo institucional dentro do órgão de controle.

Artigo anterior“Sem Cristiano Ronaldo, ninguém veria a Liga Saudita”, diz Toni Kroos
Próximo artigoSuspeito é preso ao sair do trabalho após feminicídio que vitimou jovem designer na Zona Sul de Manaus