O delegado Alexandre Bento, titular do 42º DP, afirmou que os responsáveis pela academia fecharam o estabelecimento e abandonaram o local sem comunicar o fato à polícia • CNN Brasil

Em depoimento prestado à PCESP (Polícia Civil do Estado de São Paulo) nesta quarta-feira (11), Celso Bertolo Cruz, um dos sócios da academia C4 GYM, no Parque São Lucas, na zona leste de São Paulo, confessou ter excluído mensagens de celular trocadas com o funcionário Severino, responsável pela manutenção da piscina, no dia do incidente que vitimou uma aluna, no sábado (7).

Questionado pelas autoridades sobre a existência de conversas apagadas, Celso confirmou a ação. Ele justificou o ato alegando um momento de instabilidade emocional informou que “tão logo soube que a aluna Juliana tinha falecido acabou ficando desesperado e sem pensar acabou apagando algumas mensagens”.

Apesar da exclusão dos registros digitais, o empresário sustentou que o conteúdo das conversas não era comprometedor, sendo apenas procedimentos técnicos de rotina.

Segundo seu relato, os textos diziam respeito apenas a “tratativas normais com Severino”, especificamente sobre “medições e dosagens de cloro aplicadas na piscina”.

Celso afirmou ainda no interrogatório que, apesar de ter deletado o histórico, o relato que prestou à polícia reflete o verdadeiro teor das conversas.

Veja o que se sabe sobre o caso

Também nesta quarta-feira (11) a PCESP indiciou por homicídio os três proprietários da academia.

A investigação apura a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, e a intoxicação de outras seis pessoas após uma aula de natação realizada no último sábado (7). O delegado responsável pelo caso também solicitou a prisão dos empresários.

Juliana sofreu uma parada cardíaca e morreu após ser socorrida e encaminhada a um hospital de Santo André. Entre os sobreviventes, o marido da professora e um adolescente de 14 anos foram internados em unidades de terapia intensiva.

Outras duas pessoas receberam atendimento médico, e uma criança de 5 anos passou mal durante a aula no mesmo local, sendo posteriormente incluída na lista de vítimas.

De acordo com relatos, os alunos perceberam um forte odor químico na piscina, seguido de ardência nos olhos, nariz e pulmões, além de náuseas e vômitos.

As investigações indicam que a intoxicação foi provocada pela exposição a cloro adulterado, misturado a uma substância ainda não identificada, o que teria provocado uma reação química tóxica na água.

Imagens de câmeras de segurança mostram o manobrista do estabelecimento manuseando baldes e aplicando produtos químicos na piscina. Veja:

Em depoimento, o funcionário afirmou não possuir qualificação técnica para a tarefa e declarou que apenas cumpria ordens da gerência. Segundo ele, ao informar sobre o mal-estar dos alunos, recebeu como resposta do proprietário a frase “paciência”.

Após o incidente, a Subprefeitura da Vila Prudente interditou preventivamente a academia por falta de alvará de funcionamento. Também foram constatadas outras irregularidades, como a existência de dois CNPJs registrados no mesmo endereço e condições consideradas precárias de segurança.

A polícia informou que, depois do ocorrido, os responsáveis fecharam o estabelecimento e deixaram o local sem acionar as autoridades, embora a academia esteja situada em frente ao 42º Distrito Policial. Para realizar a perícia e coletar amostras da água da piscina, os agentes precisaram arrombar o imóvel.

O caso segue sob investigação e aguarda os laudos do IC (Instituto de Criminalística) e do IML (Instituto Médico-Legal). Em nota, a direção da C4 Gym afirmou que lamenta o ocorrido e que está colaborando com as autoridades.

Com informações de CNN Brasil.

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