
A Justiça do Amazonas determinou a prisão preventiva do comandante da lancha Lima de Abreu XV, envolvida no naufrágio ocorrido na tarde de sexta-feira (13), nas proximidades do Encontro das Águas, em Manaus. A medida foi decretada na noite deste sábado (14) pela juíza Eline Paixão e Silva Gurgel do Amaral Pinto, durante plantão criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas.
Pedro José da Silva Gama, de 42 anos, havia sido preso em flagrante logo após o acidente, mas acabou liberado horas depois mediante pagamento de fiança de R$ 16 mil. Com a nova decisão — que tramita sob segredo de justiça —, o comandante voltou a ser detido. Segundo o despacho, a prisão tem como objetivo garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal.
A embarcação fazia o trajeto entre Manaus e Nova Olinda do Norte quando afundou, resultando em duas vítimas fatais já identificadas e sete passageiros ainda desaparecidos.
Versão apresentada do comandante
Em depoimento à Polícia Civil, Pedro José atribuiu o naufrágio a uma combinação de fatores climáticos e movimentação dos passageiros dentro da lancha. Ele relatou que uma ventania repentina provocou ondas que teriam alcançado cerca de três metros de altura.
Segundo o comandante, a embarcação saiu do Porto da Manaus Moderna por volta das 12h30 e seguia normalmente até a região do Encontro das Águas, quando o tempo mudou bruscamente. Ao perceber a instabilidade, afirmou ter reduzido a velocidade.
Ainda conforme o depoimento, o vento forte teria causado pânico entre os passageiros, que correram para a parte dianteira da lancha. Mesmo após orientação para que retornassem aos assentos, uma sequência de ondas atingiu a embarcação. Na segunda investida da água, uma porta na proa foi aberta, permitindo a entrada de grande volume de água. Com mais peso concentrado na frente, uma terceira onda teria coberto completamente a lancha, provocando o afundamento.
O piloto disse que determinou a distribuição de coletes salva-vidas e orientou os passageiros a se deslocarem para a parte traseira para abandonar a embarcação. Ele também afirmou que havia coletes suficientes para todos e que a lotação estava dentro do limite permitido.
Pedro José declarou ainda que os motores não apresentaram falha e permaneceram ligados até o momento do afundamento. De acordo com ele, o vendaval persistiu por mais de uma hora após o acidente, quebrando vidros da lancha e dificultando a chegada do socorro, que teria demorado cerca de 40 minutos por conta das condições climáticas.
Defesa fala em colaboração
Em nota, a defesa do comandante informou que ele permaneceu no local após o naufrágio, prestando auxílio aos passageiros e tripulantes, além de colaborar com as autoridades. Os advogados ressaltaram que as causas do acidente ainda dependem de perícia técnica e manifestaram solidariedade às vítimas e familiares.
Relatos de passageiros
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram dezenas de pessoas na água, inclusive crianças, sobre botes salva-vidas, aguardando resgate enquanto embarcações próximas tentavam ajudar. Em uma das gravações, uma passageira afirma que chegou a alertar o condutor para reduzir a velocidade devido ao banzeiro — ondas turbulentas características da região.
“Falei para ir devagar”, relatou.
As investigações seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias do naufrágio.







