Fábio Vieira/Metrópoles

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completa neste domingo (15/2) um mês de prisão no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (19º BPM), conhecido como Papudinha. Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses, resultado da condenação por liderar a trama golpista. Apesar do isolamento imposto pela prisão, o ex-presidente busca manter sua influência política e eleitoral, utilizando as visitas para assumir decisões sobre candidaturas e alianças do PL em nível nacional.

A transferência do ex-mandatário para a Sala de Estado Maior do complexo penitenciário ocorreu em 15 de janeiro, após ele passar pouco mais de dois meses detido na superintendência da Polícia Federal. Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mencionou as reclamações de Bolsonaro durante a detenção e considerou que, apesar da “total ausência de veracidade nas reclamações”, não impediria a transferência para uma cela que considerou “ainda mais confortável”.

Estratégia Eleitoral e “QG” da Oposição

Em ano eleitoral, Bolsonaro tenta transformar o local de sua detenção em um verdadeiro “Quartel General (QG)” da oposição, focado na definição de palanques eleitorais. As visitas são usadas como um momento crucial para a articulação de nomes de candidatos do PL e de aliados, em uma tentativa de se manter como líder do grupo e preservar seu legado político. Essa estratégia já havia sido empregada durante seu período de prisão domiciliar no Solar de Brasília. O padrão de atuação lembra a estratégia adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, quando, de dentro da Superintendência da Polícia Federal (PF) de Curitiba (PR), Lula definia o futuro do PT e “abençoava” o então candidato Fernando Haddad à Presidência.

Visitas de Aliados Chave:

Durante o último mês, Bolsonaro recebeu visitas de aliados influentes. Entre eles, destacam-se o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A visita de Tarcísio, por exemplo, marcou o fim das especulações sobre uma possível candidatura sua à Presidência, selando seu apoio ao filho de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, e reafirmando sua permanência na chefia do estado de São Paulo. Rogério Marinho, um dos principais articuladores da campanha de Flávio, utilizou a visita para receber orientações e planejar as alianças em diferentes estados brasileiros.

Ao longo de fevereiro, Bolsonaro também receberá outros congressistas para debater os palanques estaduais:

  • Bruno Bonetti (PL-RJ): dia 18/2, das 8h às 10h
  • Carlos Portinho (PL-RJ) (líder do PL no Senado): dia 18/2, das 11h às 13h
  • Nikolas Ferreira (PL-MG): dia 21/2, das 8h às 10h
  • Ubiratan Sanderson (PL-RS): dia 21/2, das 11h às 13h

Prisão Domiciliar Cada Vez Mais Distante:

A possibilidade de prisão domiciliar continua sendo um foco principal para aliados e familiares, que promovem a narrativa de que o ex-presidente possui problemas de saúde que exigem cuidados especiais. No entanto, um laudo pericial divulgado na sexta-feira (6/2) pela Polícia Federal concluiu que, embora a saúde de Bolsonaro demande atenção, não há necessidade de transferência para prisão domiciliar ou internação hospitalar, tornando essa alternativa cada vez mais improvável.

Com informações de Metrópoles

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