A angústia pela falta de respostas rápidas levou familiares da advogada Ana Carla Izel de Freitas Araújo, desaparecida após o naufrágio da lancha Lima Abreu XV, a iniciar uma mobilização nas redes sociais para ampliar as buscas no Encontro das Águas, em Manaus. Sem confiar apenas na operação oficial, parentes passaram a arrecadar dinheiro para custear combustível e logística de embarcações particulares.

A iniciativa foi divulgada pela prima da advogada, Vitória Izel Guimarães, que publicou vídeos pedindo apoio da população e mostrando que ela mesma está participando das buscas em uma lancha alugada. Segundo Vitória, a família começou as varreduras ainda no sábado e tem arcado com os custos para tentar localizar Ana Carla.

Em um dos registros, ela afirma que tem encontrado apenas uma embarcação do Corpo de Bombeiros na área principal do acidente e cobra maior presença de helicópteros e drones. A prima também relata frustração com o que considera pouca resposta do poder público e pede que as pessoas compartilhem os vídeos para ampliar o alcance do apelo.

O marido da advogada, Jorge Noronha de Araújo, também usou as redes sociais para pedir ajuda financeira. Ele informou que Ana Carla foi vista após o naufrágio usando colete salva-vidas e boias, e explicou que as buscas independentes estão concentradas nas margens e áreas de deriva, locais para onde a forte correnteza pode ter levado sobreviventes. Em publicações, ele disponibilizou chave Pix para arrecadação.

Operação oficial segue em andamento

Apesar das críticas da família, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas e a Marinha do Brasil informam que continuam atuando na procura pelos desaparecidos. A embarcação foi localizada a cerca de 50 metros de profundidade, e a operação envolve mergulhadores, barcos, drones e apoio aéreo.

De acordo com o comandante-geral dos Bombeiros, Muniz, as características do Encontro das Águas tornam o trabalho extremamente complexo.

Segundo ele, as mudanças bruscas nas correntes, a diferença de densidade entre os rios e a grande profundidade dificultam a varredura subaquática. O oficial também confirmou a chegada de reforço do Grupamento de Bombeiros Marítimo do Estado de São Paulo, com seis militares especializados.

O acidente

O naufrágio ocorreu por volta das 12h30 da última sexta-feira (13), quando a lancha seguia da capital para Nova Olinda do Norte. Vídeos feitos por passageiros mostram pessoas na água, inclusive crianças, aguardando resgate em botes improvisados, enquanto outras embarcações tentavam prestar socorro.

Uma sobrevivente relatou que chegou a pedir ao piloto que reduzisse a velocidade por causa do banzeiro — ondas fortes típicas da região. O comandante da lancha, José Pedro da Silva Gama, foi preso em flagrante no porto de Manaus, liberado após pagamento de fiança e, posteriormente, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do Amazonas.

Enquanto as buscas oficiais continuam, familiares seguem mobilizados por conta própria, na esperança de encontrar Ana Carla e os demais desaparecidos, transformando a dor em uma corrida contra o tempo.

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