
O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, defensor de uma linha nacionalista, declarou neste domingo (15/2) que o país deve considerar o desenvolvimento de armas nucleares próprias como resposta à crescente ameaça militar da Rússia.
Em entrevista à rede polonesa Polsatnews, Nawrocki afirmou ser um “grande defensor de que a Polônia se una a um projeto nuclear” para “garantir a segurança nacional diante de uma Rússia agressiva e imperial”. Ele salientou que “o caminho para uma capacidade nuclear polonesa, com todo o respeito às normas internacionais, é o caminho que devemos seguir”, embora não tenha especificado quando tal programa poderia ser iniciado.
O presidente, conhecido por seu perfil ultraconservador e por chefiar as Forças Armadas, minimizou temores de uma reação russa, argumentando que a Rússia pode “reagir agressivamente a qualquer coisa”. Contudo, a Polônia aderiu ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares em 1968 e não possui indústria de energia nuclear própria; a construção da primeira usina nuclear do país está prevista apenas para 2028.
Contexto Geopolítico e Crescimento do Debate:
Varsóvia, membro da União Europeia e da Otan, é um dos aliados mais próximos da Ucrânia, que enfrenta a invasão russa há quase quatro anos. A Polônia faz fronteira com a Ucrânia, com Belarus (aliada de Moscou) e com o exclave russo de Kaliningrado. A tensão na fronteira aumentou com a entrada de drones russos no espaço aéreo polonês no ano passado. Em abril deste ano, soldados da Otan se juntarão à Operação Escudo Oriental da Polônia para reforçar as fronteiras.
O debate sobre o armamento nuclear na Polônia ganhou novo impulso após a Conferência de Segurança de Munique, onde o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, revelou conversas com o presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a criação de uma dissuasão nuclear europeia. Uma pesquisa recente indicou que quase 58% dos poloneses apoiam a aquisição de armas nucleares próprias pelo país.
Reações e Mudança de Postura:
O ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, reagiu com cautela à proposta, classificando-a como “sensível”, mas não descartou uma agenda nuclear. Ele defendeu o desenvolvimento de capacidades próprias de pesquisa e inovação, priorizando ações concretas.
Nawrocki, apoiador do ex-presidente americano Donald Trump, adota uma postura mais assertiva do que seu antecessor, Andrzej Duda, que defendia apenas a possibilidade de receber armas nucleares dos EUA no âmbito do acordo de compartilhamento nuclear da Otan. Na época, a Otan afirmou não ter planos para expandir a distribuição de ogivas.
Surpreendentemente, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, cujo partido é opositor ao de Nawrocki, também demonstrou uma mudança de postura. Em 2024, ele classificou como “desproporcional” a ideia de armas nucleares, mas meses depois afirmou ser necessário “avaliar as capacidades mais avançadas, incluindo as nucleares”, sugerindo que poderia ser preferível desenvolver um “arsenal nuclear próprio” a depender de outros países. As reações do campo governista têm sido discretas, mas com declarações de que a segurança polonesa é “prioridade máxima”.
Com informações de Metrópoles







