
A montadora alemã Volkswagen está preparando um ambicioso programa de cortes de custos no valor de 60 bilhões de euros (equivalente a R$ 372 bilhões), conforme revelado em reportagem da revista alemã Manager Magazin nesta segunda-feira (16/2). O plano, que visa ser implementado até 2028, representa 20% dos gastos da empresa e afetará todas as subsidiárias do grupo, incluindo marcas como Audi, Skoda e Porsche.
A reportagem, que cita fontes internas, indica que o CEO Oliver Blume apresentou a iniciativa aos 120 principais executivos da companhia em meados de janeiro. Entre as medidas não descartadas estão o fechamento de fábricas e novos cortes de vagas, embora haja um acordo prévio com o conselho de trabalhadores que impede demissões compulsórias.
Causas e Pressões Financeiras:
Os motivos para essa drástica reestruturação incluem a queda nas vendas na China, a crescente concorrência com marcas chinesas e as tarifas impostas pelos Estados Unidos, que tornaram insuficientes os esforços anteriores de corte de custos. A Volkswagen encontra-se sob pressão financeira, tendo sua perspectiva de crédito do índice americano S&P rebaixada para “negativo” devido ao risco de não cumprimento de metas financeiras.
Em 2024, a montadora já havia gerado comoção ao admitir a possibilidade de encerrar plantas industriais na Alemanha, um fato inédito em sua história. Contudo, um acordo firmado com o conselho de trabalhadores afastou essa hipótese, prevendo a eliminação de 35 mil postos de trabalho no país até 2030 por meio de aposentadorias precoces e programas de demissão voluntária. Ainda não está claro se o novo corte de 60 bilhões de euros inclui esses acordos anteriores ou se representa uma nova rodada de ajustes.
Reações da Empresa e Sindicato:
A Volkswagen reagiu com cautela à reportagem, destacando que já possui programas de economia em andamento que geraram economias na casa dos “dois dígitos de bilhões de euros”. Um porta-voz afirmou que essas iniciativas permitiram ao grupo “amortecer os ventos geopolíticos contrários, como as tarifas nos EUA, e manter o rumo”. O CEO Oliver Blume deve apresentar um relatório intermediário na coletiva anual de imprensa em 10 de março.
O conselho de trabalhadores da empresa emitiu um comunicado argumentando que o artigo da Manager Magazin parece “mais uma descrição do status dos programas de eficiência que já vêm sendo executados há muito tempo”. A chefe do conselho, Daniela Cavallo, reiterou que, embora o grupo enfrente uma situação difícil, o fechamento de fábricas e demissões compulsórias estão “expressamente descartados” no acordo firmado com a administração.
Com informações de Metrópoles







