À esquerda, a advogada Ana Carla Izel de Freitas Araújo, desaparecida após o naufrágio da lancha Lima Abreu XV; à direita, a prima Vitória Izel Guimarães, que segue na linha de frente das buscas e cobra respostas da empresa responsável pela embarcação

A angústia das famílias das vítimas do naufrágio da lancha Lima Abreu XV cresce a cada dia — e agora vem acompanhada de revolta. Na noite desta quarta-feira (18), Vitória Izel Guimarães voltou às redes sociais para denunciar o que classifica como abandono das autoridades e cobrar diretamente a empresa responsável pela embarcação, a Lima de Abreu Navegações. Prima da advogada Ana Carla Izel de Freitas Araújo, uma das desaparecidas, Vitória afirmou que encontrar a lancha é hoje a principal prioridade para esclarecer se ainda há vítimas presas no interior do casco.

Segundo ela, as buscas feitas pela própria família já avançaram muito além do local do acidente, ocorrido nas proximidades de Manaus. Vitória relatou ter seguido até regiões como Careiro, Boca do Madeira e áreas próximas a Itacoatiara, enfrentando chuva, ventos fortes e banzeiros, numa tentativa desesperada de localizar qualquer vestígio das vítimas.

“Hoje o mais importante é achar essa lancha. Sem ela, a gente nunca vai saber se alguém ficou preso lá dentro. A gente precisa de respostas”, desabafou.

Buscas por conta própria e críticas à empresa

Vitória contou que precisou dormir fora de casa, percorreu mais de 200 quilômetros pelos rios e conversou com pescadores locais, que passaram a ajudar voluntariamente. Mesmo assim, até agora, nada foi encontrado: nenhuma mochila, sandália, colete ou objeto pessoal.

Ela afirma que o apoio recebido vem basicamente de amigos, familiares e moradores ribeirinhos. “A ajuda que chegou até mim não veio da empresa. Veio de pessoas que se sensibilizaram com a nossa dor”, declarou.

Outro ponto que revoltou a família foi a informação de que não existia lista formal de passageiros da lancha — algo que Vitória classificou como inadmissível.

“Como uma embarcação sai sem uma lista fixa de quem embarcou? Se a lancha some, como agora, ninguém sabe oficialmente quem estava lá dentro. Só os familiares. Isso é surreal”, criticou.

“É hora de cobrar responsabilidade”

A prima da advogada também questionou a ausência de uma força-tarefa mais ampla para localizar a embarcação, ressaltando que apenas o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas tem sido visto diariamente no rio. Segundo ela, o helicóptero usado nas buscas teria atuado apenas na área imediata do acidente, sem acompanhar o percurso da correnteza.

Vitória ainda revelou que o comandante da lancha estaria foragido e reforçou que a família vai intensificar a cobrança por respostas.

“Agora é hora de ir pra cima da empresa. Cinco pessoas seguem desaparecidas. Amanhã completa sete dias. A gente não pode viver eternamente no ‘e se’. E se eles estão lá dentro? E se ficaram presos? Só vamos saber quando acharem essa lancha.”

Em meio ao desgaste físico e emocional, ela pediu orações e ajuda para ampliar a divulgação das buscas, principalmente em municípios ao longo do trajeto do rio, onde objetos ou corpos podem surgir com a força da correnteza.

“Eles podem não ser filhos de políticos, mas são seres humanos. São importantes para nós. Minhas palavras são de dor, não de teoria. A gente só quer respostas.”

Até o momento, cinco pessoas seguem desaparecidas.

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