
De acordo com o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, o desfile da Acadêmicos de Niterói provocou forte desgaste político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o colunista, “todas as pesquisas e trackings que o Palácio do Planalto teve acesso apontam numa só direção: foi catastrófico para Lula o desfile da Acadêmicos de Niterói”. A avaliação interna no governo seria de que o episódio atingiu diretamente um público considerado estratégico neste momento: o eleitorado evangélico.
De acordo com a coluna, não apenas o conjunto do desfile desagradou setores religiosos, como também houve um elemento específico visto como símbolo do problema: a ala que representou a “família tradicional” dentro de uma lata de conservas. Nos bastidores do governo, a imagem passou a ser tratada como o ponto mais sensível do desfile.
Um líder do Partido dos Trabalhadores ouvido pelo colunista afirmou que “todo um trabalho de aproximação com os evangélicos foi jogado fora”. A declaração reflete a preocupação de integrantes da base aliada com possíveis impactos na estratégia política do Planalto, especialmente em um cenário de disputas eleitorais futuras.
Ainda segundo a coluna, um ministro do governo teria avaliado que a polêmica também serve como “prova de que o governo não teve qualquer interferência na concepção do desfile”, numa tentativa de afastar qualquer interpretação de envolvimento direto do Executivo na construção artística apresentada pela escola de samba.
O episódio reacende o debate sobre os limites entre manifestações culturais e repercussões políticas, especialmente quando temas sensíveis, como religião e valores familiares, entram em cena em eventos de grande visibilidade nacional.







