Gabinete presidencial da Venezuela

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, sancionou nesta quinta-feira (19/2) uma histórica lei de anistia, aprovada por unanimidade pelo Parlamento venezuelano. A lei tem como objetivo permitir a libertação de presos políticos e facilitar o retorno de opositores exilados, em um gesto que Rodríguez descreveu como um “ato de grandeza” e uma abertura para “novos caminhos na política venezuelana”.

A aprovação do texto ocorreu menos de dois meses após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos e sob pressão americana, conforme destacado pela presidência interina. No entanto, a medida já enfrenta críticas de ONGs de direitos humanos devido às exceções que contém.

Pontos Chave da Lei e Suas Implicações:

  • Libertação e Retorno: A lei visa liberar presos políticos e permitir o retorno de venezuelanos no exílio.
  • Contexto Pós-Maduro: A promulgação ocorreu imediatamente após a aprovação parlamentar, com Rodríguez afirmando que as libertações nunca foram interrompidas.
  • Libertações Condicionais: Segundo a ONG Foro Penal, 448 opositores foram libertados condicionalmente desde 8 de janeiro, mas ainda há 644 presos políticos no país.
  • Abrangência Temporal: A anistia cobre fatos ocorridos durante treze períodos específicos ao longo dos 27 anos de chavismo. Críticos, como Gonzalo Himiob, diretor da Foro Penal, argumentam que a limitação temporal é “excludente” e ignora a continuidade da perseguição política.
  • Inclusões por Alteração da Oposição: A oposição conseguiu incluir entre os anistiados os participantes de “manifestações e atos violentos”, além de prever que exilados possam nomear representantes perante a Justiça.
  • Exceções e Exclusões: A lei não beneficiará pessoas que cometeram “violações graves dos direitos humanos, crimes contra a humanidade, homicídios, tráfico de drogas, infrações de corrupção”. Também exclui quem “promoveu, instigou, solicitou, invocou, favoreceu, facilitou, financiou ou participou” de “ações armadas” contra a Venezuela, o que pode impedir que figuras como a líder opositora e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, sejam anistiadas devido ao seu apoio à intervenção americana de 3 de janeiro.
  • Avaliação de Casos: A advogada Jackeline Sandoval explica que haverá uma comissão para avaliar os casos, e a decisão final caberá aos tribunais, o que significa que as libertações não serão imediatas para todos.

Além da anistia, a presidente interina Delcy Rodríguez tem conduzido outras mudanças, como ceder a Washington o controle do petróleo, iniciar a normalização das relações bilaterais com os Estados Unidos e prometer uma reforma judicial, além de aprovar uma nova lei de hidrocarbonetos que abre o setor à iniciativa privada.

Com informações de Metrópoles

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