
Após a vitória sobre o Madureira, neste domingo (22) pela semifinal do Campeonato Carioca, o técnico Filipe Luís abriu a entrevista posicionando-se sobre o recente episódio de racismo contra Vini Jr, atacante do Real Madrid. O treinador afirmou que foi mal interpretado e reforçou apoio ao brasileiro.
Confira, na íntegra, a primeira declaração de Filipe Luís neste domingo (22):
“Primeiro, gostaria de esclarecer as minhas palavras, que foram amplamente mal interpretadas na última coletiva que eu fiz. Em nenhum momento a minha intenção foi minimizar o caso de racismo ou o ato racista nem desrespeitar a vítima nesse caso, muito pelo contrário. Estou com o Vinícius, eu e o Flamengo estamos com o Vinícius. Tenho um carinho e uma admiração gigante por ele e eu estou com ele, não tenho nenhuma dúvida do que eu estou falando.
Sei que, como treinador, minha postura pública gera muita expectativa. Realmente pode ser que eu não tenha me explicado com a suficiente clareza sobre o assunto. Eu repudio o racismo, eu condeno o ato racista. Racismo é crime. Como eu falei um dia antes, se ele fez, que não cabe a mim julgar, mas, se ele fez, que ele pague. Que pague com força. Porque eu chegar aqui e falar é fácil, fazer camiseta “não ao racismo” é fácil, usar pulseira antirrascismo é fácil, tudo isso é muito fácil. Difícil é punir. Então, se ele fez, que ele pague. Que fique bem claro – completou o treinador do Flamengo.
Outra coisa que eu quero deixar bem claro foi a palavra que eu usei, “caso isolado”, que eu usei na resposta. A pergunta dele foi “como o Flamengo foi tratado nas visitas à Argentina?”, e eu quis dizer que caso isolado foi aquele caso dentro de campo, que aconteceu naquele jogo. Que existem mais casos, existem. Muitos mais. Na Argentina, no Paraguai, na Espanha, na Inglaterra, no Brasil. E eu amo o país. Existem casos de racismo, de homofobia, de machismo, de corrupção. E todos esses problemas não querem dizer que eu não ame o meu país e que eu não goste da Argentina. Amo meu país, que fique bem claro que eu me expressei sobre um caso específico.
Estou triste, decepcionado com tudo que aconteceu. Não foi fácil para mim, depois de perder o jogo com a minha responsabilidade, não é fácil chegar numa coletiva, responder uma pergunta e que tudo seja perfeito. Queria deixar isso bem claro para vocês. E dizer mais uma vez: estamos com o Vini, estou com o Vini. O Flamengo apoia todas as causas do Vini sempre. Queria esclarecer isso antes de vocês fazerem as perguntas. Fiquei bem triste com toda repercussão que aconteceu, vocês me conhecem, o pessoal que está aqui me conhece. Mas tudo bem, espero que isso tenha esclarecido o meu pensamento sobre esse caso. E bola para frente.”
No decorrer da entrevista, Filipe Luís voltou a ser questionado sobre o tema.
“Nós chegamos de viagem 9h, sem dormir, com o trânsito demorou mais e eu cheguei e dormi. Quando acordei vi tudo o que estava acontecendo. Falei com o Paiva (assessor de imprensa), escrevi a nota. É melhor falar, eu não gosto de gravar vídeo. Falei com o Danilo, falei com os jogadores. Eu sempre trato as coisas de maneira clara com os jogadores. Qualquer problema sobre esse situação eles podem falar à vontade sobre esse assunto. E eu estou com o Vini”, afirmou.
As declarações de Filipe Luís
Filipe Luís, treinador do Flamengo, comentou nesta quinta-feira (19) sobre a acusação de racismo sofrida por Vini Jr. na partida entre Real Madrid e Benfica, pela Liga dos Campeões, na última terça (17). As declarações foram dadas antes e depois da partida contra o Lanús, em Buenos Aires na Argentina, pela ida da Recopa Sul-Americana.
“É um tema muito mais delicado do que pensamos, um tema que envolve muitas coisas. Para mim é simples, ele (Prestianni) tapou a boca e não deveria ter tapado a boca para dizer o que deveria dizer, e isso gera toda essa revolta e agora é a palavra de um contra de outro. Isto é muito delicado e, se ele disse isso, tem de pagar. Mas repito, é a palavra de um contra de outro e não sou eu quem pode julgar”, comentou Filipe Luís à “ESPN”.
“Sobre Vinicius Junior, sempre fui muito bem tratado, a Argentina me encanta. Sou muito feliz aqui, muito bem recebido. Só tenho boas palavras para a Argentina. Um caso isolado como esse não influencia em nada do que penso sobre este país, que é tão lindo”, voltou ao tema ao ser questionado sobre a recepção na Argentina após a derrota.
Logo após a partida entre Real Madrid e Benfica, o Flamengo se posicionou nas redes sociais em solidariedade a Vini Jr, jogador formado nas divisões de base do clube carioca.
“O que o Vini Jr. vive não é só sobre futebol. Ali tem um garoto que sonhou, que lutou, que venceu muita coisa para estar onde está. E dói ver alguém ser atacado simplesmente por ser quem é. A dança dele é alegria de verdade. É espontânea. É dele. Racismo não é parte do jogo. Machuca. E não pode ser normalizado. Vini, você não está sozinho. A gente sente, a gente apoia, a gente está com você”, publicou o Flamengo.
“Após a partida de ontem contra o Lanús, durante a coletiva de imprensa organizada pela Conmebol, minutos após o fim do jogo, fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior, quando me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país.
Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista.
Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme. O futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer forma de discriminação.
Reforço ainda que, antes da partida, em entrevista exclusiva ao detentor de direitos, expus minha visão sobre o episódio, classificando como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse.
Por fim, reitero meu total apoio a Vinícius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune.”
Entenda o caso
O duelo entre Benfica e Real Madrid, disputado na terça (17), em Lisboa, pela Uefa Champions League foi interrompido após o acionamento do “Protocolo Antirracismo”.
A ação se deu após o atacante Vinicius Júnior marcar um golaço sobre as Águias, aos cinco minutos do segundo tempo, em partida válida pelos playoffs das oitavas de final.
Após a comemoração, o camisa 7 do Real se dirigiu em direção ao árbitro e relatou algo dito por Prestianni, do Benfica. Com isso, o árbitro acionou o protocolo e paralisou o jogo.
O clima em campo esquentou, e jogadores de ambas as equipes passaram a discutir. Vini Jr chegou a ser contido pelo treinador José Mourinho, do time português, durante o bate-boca. A partida foi reiniciada após oito minutos. O Real Madrid venceu por 1 a 0.
O posicionamento do Flamengo
Logo após a partida entre Real Madrid e Benfica, o Flamengo se posicionou nas redes sociais em solidariedade a Vini Jr, jogador formado nas divisões de base do clube carioca.
“O que o Vini Jr. vive não é só sobre futebol. Ali tem um garoto que sonhou, que lutou, que venceu muita coisa para estar onde está. E dói ver alguém ser atacado simplesmente por ser quem é. A dança dele é alegria de verdade. É espontânea. É dele. Racismo não é parte do jogo. Machuca. E não pode ser normalizado. Vini, você não está sozinho. A gente sente, a gente apoia, a gente está com você”, publicou o Flamengo.
Com informações da CNN.







