
A prática de atividades físicas ao ar livre oferece uma alternativa revigorante às academias, conectando-nos à natureza e potencializando a produção de vitamina D. No entanto, é crucial adotar precauções para garantir a segurança e maximizar os benefícios, conforme alerta o cardiologista e médico do esporte Leandro Echenique, do Einstein Hospital Israelita.
Os Desafios do Ambiente Externo
O principal desafio dos exercícios em espaços abertos é a maior exposição solar, que, aliada à menor disponibilidade de água, aumenta significativamente o risco de desidratação e estresse térmico. A escolha entre treinar em ambientes abertos ou fechados deve, portanto, considerar as condições climáticas e a capacidade de adaptação individual.
Grupos de Risco
Crianças e idosos merecem atenção especial. Os pequenos podem não perceber os sinais de indisposição causados pelo calor e desidratam rapidamente. Já os idosos, que sentem menos sede e suam menos, são mais propensos a quadros graves de estresse térmico. Pessoas com doenças cardiovasculares, como hipertensão, também precisam de cuidado redobrado, pois a temperatura e a hidratação afetam diretamente a circulação sanguínea.
Recomendações Essenciais
Para minimizar os riscos, o Dr. Echenique sugere:
- Horários Estratégicos: Prefira exercitar-se antes das 9h ou após as 18h, quando o calor é menos intenso.
- Proteção Adequada: Use boné, protetor solar e roupas leves e claras para reduzir os impactos da exposição ao sol.
- Hidratação Constante: Não espere sentir sede para beber água. Consuma ao menos 500 ml antes de iniciar e reidrate-se continuamente, bebendo cerca de 250 ml a cada hora de atividade.
A fadiga precoce, queda de desempenho, queimaduras solares e cãibras são sinais de alerta. Em caso de sintomas como falta de ar, tontura ou cansaço excessivo, pare imediatamente, procure um local sombrio e fresco, hidrate-se e, se os sintomas persistirem ou piorarem, procure atendimento médico de urgência.
Em dias de calor extremo, a insolação é uma emergência médica grave, com a temperatura corporal podendo ultrapassar os 40 °C. Os sintomas iniciais podem ser sutis, como sede e mal-estar, mas a condição pode evoluir rapidamente para náuseas, tontura, confusão mental, dor de cabeça intensa, vômitos, desmaios e até convulsões. Palpitações e a ausência de transpiração são sinais preocupantes que não devem ser ignorados.
O Perigo do Excesso de Entusiasmo
Além das preocupações com o calor, é fundamental evitar a sobrecarga. A busca por resultados rápidos e o desejo de cumprir metas de Ano-Novo, muitas vezes impulsionados por pressão social, podem levar as pessoas a aumentar abruptamente a intensidade e a frequência dos treinos. Esse excesso de entusiasmo, sem respeitar a condição física atual e a necessidade de evolução gradual, eleva consideravelmente o risco de lesões, torções e fraturas.
Lesões musculares na coxa, panturrilha e região lombar são comuns, especialmente em atividades como caminhadas e ciclismo. Tendinites e torções também podem ocorrer, além das temidas fraturas por estresse.
Comece Devagar e com Segurança
Para quem está iniciando uma rotina de exercícios, a palavra de ordem é paciência. “Sair do sedentarismo é uma meta valiosa. Os benefícios da atividade física são inúmeros e sempre superam os riscos, mas é recomendado fazer uma avaliação médica antes de começar e progredir com calma”, aconselha o cardiologista.
Para ex-sedentários, a sugestão é limitar-se a três sessões de exercício semanais, com cerca de meia hora de duração por dia. Essa abordagem gradual ajuda a construir o hábito, fortalecer a musculatura e permitir a adaptação do corpo. “O aumento do volume deve ser progressivo, sempre respeitando as respostas individuais ao esforço”, conclui o especialista.
Com informações de Metrópoles







