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O câncer de colo de útero é uma doença totalmente prevenível e, quando diagnosticado em suas fases iniciais, possui altas chances de cura. No entanto, sua natureza silenciosa nos estágios precoces — geralmente sem apresentar sintomas — reforça a necessidade vital de um rastreamento regular.

Fique Atenta aos Sinais de Alerta

De acordo com a ginecologista Giani Cezimbra, o sintoma mais crucial a ser observado é o sangramento anormal. “Se eu tivesse que orientar as mulheres em uma frase, seria: atenção ao sangramento fora da menstruação ou após a relação sexual”, afirma a especialista.

Nas fases iniciais, o câncer pode manifestar-se através de:

  • Sangramento vaginal fora do período menstrual.
  • Sangramento após a relação sexual.
  • Pequenos escapes inesperados de sangue.
  • Corrimento com odor desagradável, presença de sangue e coloração mais escura ou amarronzada.

Qualquer um desses sinais exige investigação médica imediata. Embora o sangramento fora do ciclo possa ter outras causas, como alterações hormonais, se ele foge do padrão habitual do seu corpo, é fundamental buscar avaliação. A ginecologista explica que o câncer de colo de útero costuma estar associado a lesões precursoras com aumento da vascularização, o que facilita o sangramento, especialmente durante o contato sexual.

Em estágios mais avançados, podem surgir outros sintomas como:

  • Dor durante a relação sexual (também um sinal que merece investigação).
  • Dor lombar.
  • Inchaço nas pernas.
  • Dificuldade para urinar ou evacuar.
  • Presença de sangue na urina ou nas fezes, indicando possível invasão de órgãos próximos.
  • Cansaço excessivo, perda de peso e redução da disposição geral.

HPV: O Principal Fator de Risco

A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de colo de útero. A infectologista Sylvia Freire, do Sabin Diagnóstico e Saúde, esclarece que a maioria das infecções por HPV é assintomática e pode ser eliminada espontaneamente pelo organismo em até 24 meses.

Existem mais de 200 tipos de HPV, alguns responsáveis por verrugas genitais e outros associados a tumores malignos, incluindo os de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta. Dados do Ministério da Saúde revelam que 54,4% das mulheres brasileiras apresentam infecção genital por HPV, e o câncer de colo de útero, lamentavelmente, mata, em média, 19 mulheres por dia no país.

A genotipagem do HPV é uma ferramenta importante no rastreamento, especialmente para mulheres entre 25 e 64 anos, com foco a partir dos 30. Este exame, recomendado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), permite identificar os tipos de vírus de maior risco e direcionar o acompanhamento médico de forma mais precisa. “O teste possibilita detectar genótipos de alto risco e ajustar a conduta médica conforme cada caso”, explica Sylvia Freire.

Prevenção e Rastreamento: Suas Melhores Ferramentas

A única forma verdadeiramente eficaz de prevenir ou identificar precocemente o câncer de colo de útero é através de uma combinação de medidas:

  1. Vacinação contra o HPV: Disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos. A vacina é uma ferramenta poderosa na prevenção primária da infecção pelos tipos de HPV mais oncogênicos.
  2. Exame Preventivo (Papanicolau): Essencial para detectar alterações nas células do colo do útero antes que se tornem câncer.
  3. Teste de HPV: Como complemento ao Papanicolau, o teste de HPV detecta a presença do vírus, permitindo um acompanhamento mais direcionado.

A ginecologista Sophie Françoise Mauricette Derchain, da Febrasgo, enfatiza: “Consultas periódicas e exames como o Papanicolau e o teste de HPV são fundamentais para reduzir a mortalidade”.

Mesmo com todo o avanço na prevenção e rastreamento, o câncer de colo de útero ainda é a doença que mais mata mulheres até os 36 anos no Brasil. Este dado alarmante reforça a necessidade de atenção contínua aos sintomas, especialmente ao sangramento anormal, e a realização regular dos exames de rastreamento. A sua saúde é a sua prioridade.

Com informações de Metrópoles

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