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A Justiça condenou nessa segunda-feira (23/2) a advogada Iria Rubslaine Gomes de Campos (na foto, à esq.) a seis anos de prisão em regime inicial semiaberto por organização criminosa. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), ela é ligada à ONG Pacto Social Carcerário, acusada de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ONG é apontada como uma espécie de “departamento médico” que intermediava a contratação de profissionais de saúde para realizar procedimentos médicos e estéticos em lideranças da facção. A advogada pode recorrer em liberdade.

Segundo o órgão, a entidade também era usada para simular violações de direitos no sistema carcerário e promover manifestações ordenadas pela cúpula da facção. O grupo foi alvo da Operação Scream Fake, deflagrada em janeiro pela Polícia Civil de Presidente Venceslau em parceria com o Gaeco.

Na denúncia, o promotor Lincoln Gakiya apontou que a ONG PSC não possuía mecanismos de arrecadação de recursos públicos ou privados, conforme constatou a quebra de sigilo bancário realizada durante as investigações. A estrutura, diz Gakiya, indicaria a ligação com o crime organizado.

“[A ONG] não realiza captação de recursos públicos ou privados, nem parcerias e convênios com órgãos públicos. Não possui nenhum bem registrado em seu nome, sequer um veículo. Não possuiu um único empregado desde a sua fundação.”

Setor de saúde

Em relação ao “setor de saúde”, as investigações indicam que a ONG contratava profissionais para fazer procedimentos médicos e estéticos em integrantes do PCC. Os prestadores de serviços eram contratados pelo Setor dos Gravatas, composto por advogados ligados à facção.

Um dos profissionais investigados foi interrogado e contou que os valores eram considerados altos e transferidos de forma ilícita por meio de transferências de terceiros, mas nunca da advogada que lhe contratou — a advogada Iria Rubslaine, condenada nessa segunda.

“[…] Afirma que na PII de Presidente Venceslau acabava realizando alguns procedimentos complexos, como reabilitação protética, chegando a cobrar valores entre R$ 10 mil e R$ 12 mil e, de igual modo, esses pagamentos, às vezes parcelados, eram creditados na conta da declarante junto à Caixa Econômica Federal por transferências de terceiros e nunca em nome da Dra. Iria Rubslaine.”

Com informações de Metrópoles.

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