
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (25/2) a Operação Cliente Fantasma, que investiga o banco BMP Money Plus por suspeita de facilitar a lavagem de R$ 25 bilhões por meio de “clientes invisíveis”, incuindo organizações criminosas do Brasil.
Ao todo, são cumpridos três mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, na capital paulista e no município de Barueri. Os endereços estão ligados à sede do banco, ao presidente da empresa e ao responsável pelo setor de compliance da fintech.
Segundo a PF, a investigação aponta que a instituição, embora regularizada a operar pelo Banco Central do Brasil (Bacen), permitia que os clientes movimentassem dinheiro sem a devida identificação, dificultando a fiscalização sobre supostas atividades ilícitas. Além disso, o banco não realizava as comunicações obrigatórias de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), o que “teria contribuído para a ocultação e dissimulação da origem ilícita dos valores movimentados”.
O banco teria ajudado na omissão e na lavagem de dinheiro de mais de R$ 25 bilhões de reais, incluindo recursos ligados às maiores organizações criminosas do país. Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, omissão de informações ao órgão regulador e lavagem de capitais.
- O BMP foi uma das seis instituições financeiras alvos do maior ataque hacker da história do Brasil, que movimentou pelo menos R$ 541 milhões, em junho de 2025.
- De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, no decorrer das investigações, foi possível identificar que João Nazareno Roque facilitava “que demais indivíduos realizassem transferências eletrônicas em massa, no importe de R$ 541 milhões para outras instituições financeiras”. O homem foi preso.
- À época, o BMP afirmou ter conseguido recuperar a quantia de R$ 18,7 milhões do montante desviado por meio de 166 transações feitas via Pix na madrugada do crime.
- O banco detalhou a ação dos criminosos em um pedido de investigação e de bloqueio de bens feito à Justiça paulista, e apontou os nomes de 29 empresas e de ao menos 79 pessoas físicas que teriam sido destinatárias do dinheiro desviado.
Usuários invisíveis
O nome da operação, “Cliente Fantasma”, faz referência à prática adotada pela fintech investigada, que, segundo a PF, mantinha contas e movimentações sem a devida identificação dos titulares perante ao Banco Central.
Na prática, os clientes ficavam invisíveis aos órgãos de controles, funcionando como fantasmas dentro do sistema financeiro, possibilitando a movimentação de bilhões em valores ilícitos sem fiscalização.
A omissão também permitia que os usuários ficassem blindados contra quebras de sigilo bancário e bloqueios judiciais.
Com informações de Metrópoles.







