
Borge Brende, presidente do Fórum Econômico Mundial (FEM), que organiza a cúpula anual de Davos, na Suíça, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (26/02), após revelações sobre seus laços com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
“Após cuidadosa reflexão, decidi renunciar ao cargo de presidente e CEO do Fórum Econômico Mundial”, disse Brende, que também é ex-ministro das Relações Exteriores da Noruega. “Agora é o momento certo para o Fórum continuar seu importante trabalho sem distrações”, acrescentou em um comunicado.
Após oito anos no cargo, ele chegou à conclusão de que “tanto o FEM quanto eu nos beneficiaríamos mais se eu passasse o bastão para outra pessoa”, disse Brende ao jornal Dagens Næringsliv. O caso Epstein, segundo ele, poderia desviar a atenção do importante trabalho do Fórum. Brende ressaltou, no entanto, que uma “revisão externa” não revelou nada que “já não fosse conhecido e amplamente divulgado pela mídia” sobre seu envolvimento no caso.
Brende foi ministro das Relações Exteriores da Noruega de 2013 a 2017 e era presidente do FEM desde 2017.
O nome do político norueguês consta nos arquivos de Epstein recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, revelando que, desde 2018, ele manteve contato com o americano, que morreu sob custódia em 2019.
O Fórum Econômico Mundial (FEM) anunciou posteriormente uma revisão independente que, segundo o comunicado atual, já foi concluída e cujas conclusões mostram “que não há outras preocupações além das já divulgadas”.
Diversos jantares com Epstein
Inicialmente, Brende negou ter tido contato com o financista. Depois, admitiu que jantou com ele diversas vezes em 2018 e 2019 – período em que o americano já havia sido condenado por abuso sexual e cumprido pena de prisão.
A TV2 informou ainda que Brende enviou várias mensagens de texto ao empresário. À emissora, ele afirmou não se lembrar do teor das mensagens e declarou que desconhecia as atividades e o passado do magnata.
Epstein comandou uma rede de tráfico sexual por anos, na qual teria feito dezenas de vítimas, incluindo jovens mulheres e menores de idade. O financista nova-iorquino tinha excelentes conexões na alta sociedade dos EUA e de muitos outros países.
Investigações contra vários noruegueses
O comitê de supervisão do Parlamento norueguês anunciou recentemente uma investigação independente sobre o envolvimento da elite da política externa da Noruega no escândalo Epstein. Uma comissão de inquérito examinará o caso e os métodos de trabalho do Serviço Diplomático nos últimos anos.
Devido aos seus contatos com o criminoso sexual americano condenado Jeffrey Epstein, o ex-primeiro-ministro norueguês e ex-secretário-geral do Conselho da Europa, Thorbjorn Jagland, a ex-embaixadora na Jordânia e no Iraque, Mona Juul, e seu marido, o ex-diplomata Terje Rod-Larsen, já estão sob investigação das autoridades. Os três são investigados por suspeita de corrupção grave.
A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, também figura com destaque nos documentos mais recentes; ela é acusada de ter tido contato privado com o criminoso sexual por anos. Aos 52 anos, ela emitiu um pedido de desculpas por escrito por sua amizade com Epstein.
Com informações de Metrópoles.







